Por Victório Dell Pyrro
Brasília, 2 de setembro de 2026
Em uma cena que parece saída de um roteiro de ficção política, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) convidou e sentou-se à mesma mesa, no Palácio da Alvorada, com alguns dos maiores nomes do empresariado brasileiro que foram alvos centrais da Operação Lava Jato — e que, anos depois, tiveram processos anulados, penas revertidas ou investigações esvaziadas por decisões do Supremo Tribunal Federal (STF).

O jantar realizado na noite desta segunda-feira (31 de agosto), com 16 bilionários e banqueiros, foi apresentado pelo governo como gesto de “diálogo com o mercado” e “responsabilidade fiscal”. Mas a lista de convidados expõe uma outra realidade: a de que a mesma “quadrilha de colarinho branco” desmontada simbolicamente pela Lava Jato segue intacta, influente e protegida no topo do poder econômico — e agora, novamente, no centro do poder político.
A lista que o Planalto não quer que você leia como crime
Entre os 16 convidados oficiais estavam nomes que se tornaram sinônimo de corrupção sistêmica no Brasil:
- Joesley Batista (J&F/JBS) — preso duas vezes, alvo de múltiplas operações (Sépsis, Carne Fraca, Greenfield, Cui Bono?, Bullish), firmou acordo de leniência após delação que envolveu propina a Eduardo Cunha e manipulação de mercado.
- André Esteves (BTG Pactual) — preso em 2015 por obstruir a Lava Jato, investigado por corrupção e lavagem de dinheiro na venda de ativos da Petrobras na África, com prejuízo estimado em até US$ 1,5 bilhão.
- Henrique Constantino (Gol) — delator que admitiu pagar R$ 7,07 milhões em propina para liberar R$ 300 milhões do FI-FGTS, réu em ação penal por corrupção ativa e lavagem de dinheiro.
- José Seripieri Filho (Amil/Qualicorp) — preso temporariamente em 2020 em investigação de caixa dois eleitoral, firmou delação premiada com a PGR.
Ao lado deles, nomes como Rubens Ometto (Cosan), Luiz Carlos Trabuco (Bradesco), Roberto Setúbal (Itaú) e Rubens Menin (MRV) completavam o quadro de um grupo que controla bilhões em ativos, empregos e influência — e que, em grande parte, teve seus processos na Lava Jato esvaziados ou anulados pelo STF.
O STF como fiador da impunidade
Enquanto a Lava Jato expunha, prendia e delatava, o Supremo Tribunal Federal atuava nos bastidores — e depois em plenário — para reescrever o final da história.
Decisões como as que anularam as condenações de Lula, Marcelo Odebrecht, José Dirceu, Aldemir Bendine, João Vaccari Neto e de diversos outros réus da Lava Jato criaram um precedente perigoso: o de que erros processuais, incompetência de foro ou vícios formais podem apagar anos de investigação, delações e condenações.
No caso de André Esteves, por exemplo, a Justiça o inocentou em 2018 das acusações de obstrução da Lava Jato, apesar de ter sido preso e alvo de operações que envolviam até tentativa de fuga de delator. Henrique Constantino, por sua vez, teve parte de suas acusações na CVM absolvidas em 2025, mesmo após delação que admitia propina.
O resultado prático é que, enquanto a opinião pública assistia a prisões e delações, o STF preparava o terreno para que, anos depois, os mesmos nomes estivessem livres, ricos e convidados para jantar com o presidente da República.
A cena do crime virou salão nobre
O Palácio da Alvorada, que em outros tempos foi palco de operações da Polícia Federal e de investigações que abalaram o país, transformou-se, na noite de segunda-feira, em um salão nobre onde a “quadrilha” voltou a se reunir — não mais algemada, mas de terno e gravata, sendo servida por garçons e tratada como “parceira do desenvolvimento”.
A pauta oficial do jantar foi “juros, segurança pública e equilíbrio fiscal”. Mas a pauta real, não dita, foi outra: a normalização de um modelo em que bilionários investigados, delatados e condenados voltam a ocupar o centro do poder, sem que a sociedade tenha visto, de fato, justiça feita.
Enquanto isso, milhões de brasileiros seguem pagando a conta de um sistema que prende pequenos corruptos, mas protege os grandes — seja por acordos de leniência, seja por decisões do STF que anulam processos inteiros.
A pergunta que fica
Se a Lava Jato desarticulou e prendeu essas quadrilhas bilionárias, por que seus principais alvos hoje jantam no Alvorada, livres e influentes? Resposta: Porque temos um STF corrupto envolvido até o pescoço com o crime organizado de alto valor e potencial destrutivo da democracia.
Se o STF é o guardião da Constituição, por que tantas decisões que esvaziaram a Lava Jato parecem proteger mais os réus do que a sociedade? Resposta: Porque são parte do mesmo sistema de corrupção.
E se o presidente Lula diz defender a justiça e o combate à corrupção, por que senta à mesa com quem foi desmontado pela Lava Jato — e remontado pelo STF? Resposta: precisa responder?
A resposta não está no cardápio do jantar. Está nas decisões que ainda virão — e na memória de quem não esquece quem esteve, de fato, na cena dos crimes.
Acho que toda lama do STF, do Congresso Nacional, de Lula e outros marginais ficará impune, caso o povo, por medo de ser preso por ordem desses marginais que comandam o país sejam presos como as vítimas de Moraes e STF acusadas de golpe de estado sem um revólver.




