Na sexta-feira (4), Gonet informou ao STF que vai apurar possível interferência em relatório da PF pedido por Mendonça que cita relação de Vorcaro com Moraes e com o próprio PGR
A Associação Nacional dos Delegados de Polícia Federal (ADPF) pediu, em uma nota divulgada neste sábado (5), que o procurador-geral da República, Paulo Gonet, se declare impedido na apuração de possível interferência em um relatório da Polícia Federal pedido pelo ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), que cita a relação de Daniel Vorcaro com o ministro Alexandre Moraes e com o próprio PGR.
“A ADPF requer que o Procurador-Geral da República se declare impedido e se abstenha de praticar atos, seja como fiscal da lei, seja como titular do controle externo, nos procedimentos relacionados aos fatos em que é citado; que o procedimento instaurado seja arquivado por ser via inadequada ao questionamento de ato do STF; e que os fatos que vieram à tona pela operação Compliance Zero sejam apurados em toda a sua extensão, sem seletividade quanto às autoridades envolvidas”, diz a nota.
Gonet informou ao ministro Edson Fachin, do Supremo Tribunal Federal (STF), que abriu uma apuração sobre possível interferência na produção do relatório da Polícia Federal (PF) que apontou uma relação entre o ministro Alexandre de Moraes, do STF, e o banqueiro Daniel Vorcaro, preso na Operação Compliance Zero.
O relatório foi feito a pedido do ministro André Mendonça, também do STF.
“Informo a Vossa Excelência que, na forma do despacho que encaminho, determinei a instauração de Procedimento de Controle Externo da Atividade Policial, resultado será, em tempo adequado, noticiado à Corte”, escreveu o procurador-geral da República, Paulo Gonet, que também é citado no relatório.
A PGR afirma que a PF terá que esclarecer, por exemplo, “quanto a possível ocorrência de ordem ou interferência externa em sua elaboração, que tenha maculado seu conteúdo”.
A procuradoria alegou que não foi comunicada sobre a determinação de Mendonça.
“No trâmite analisado, não foi dado espaço à manifestação da Pocuradoria-Geral da República. Ao revés, a decisão proferida nos autos da Petição n. 15.556/DF foi ocultada do Ministério Público, que foi assim impedido de realizar o necessário controle externo da atividade policial, etapa essencial a qualquer investigação”, afirmou.




