A Polícia Civil do Distrito Federal (PCDF) identificou dois homens suspeitos de colar cartazes com ofensas à governadora e candidata à reeleição Celina Leão (PP) em paradas de ônibus de Sobradinho. O veículo usado pelos suspeitos durante a ação foi apreendido.
O caso ganhou repercussão no segundo turno da eleição no DF, porque o material trazia a frase “Celina Leão corrupta” e a orientação “Vote conscient13”, referência ao número do PT. A campanha de Celina atribuiu a ação a apoiadores do adversário Leandro Grass (PT), que nega qualquer envolvimento.
O que a polícia apurou
Imagens de câmeras de segurança e um vídeo feito por um morador mostraram dois homens aparentando cerca de 20 anos fixando os cartazes em paradas de ônibus. Segundo o autor das filmagens, os suspeitos tinham adesivos do PT nas roupas, usavam um carro de apoio e voltaram ao veículo para buscar mais material antes de continuar a ação do outro lado da pista.
Com esse material, a PCDF identificou a dupla e apreendeu o carro utilizado por eles. A corporação não divulgou, até o fechamento desta apuração, os nomes dos investigados, se eles foram presos ou se já prestaram depoimento.
A investigação busca esclarecer quem produziu, financiou e ordenou a distribuição dos cartazes, além de verificar se a dupla responde apenas pela ação em Sobradinho ou também pela fixação do material em outras regiões do DF.
Os cartazes e a denúncia
Os panfletos eram apócrifos — isto é, sem identificação formal de responsáveis — e classificavam Celina Leão como “corrupta”. A defesa da governadora sustenta que a peça configura ataque à honra porque atribui prática criminosa à candidata sem que exista decisão judicial nesse sentido.
A campanha de Celina registrou queixa-crime na PCDF nesta quarta-feira (7/10) e acionou o Tribunal Regional Eleitoral do DF (TRE-DF). O pedido à Justiça Eleitoral inclui a retirada imediata dos cartazes, a intimação de Leandro Grass para que se abstenha de produzir ou distribuir material semelhante e, em tese, a responsabilização do diretório regional do PT.
A representação também invoca a Lei das Eleições, que proíbe propaganda em bens públicos dependentes de cessão ou permissão, como postes, viadutos e paradas de ônibus. A punição prevista para esse tipo de irregularidade é multa de até R$ 8 mil.
Celina e a PF
Celina Leão afirmou que levará o caso também à Polícia Federal para investigar “quem fez, quem pagou e quem mandou espalhar” o material pelo Distrito Federal. Ela pediu que moradores fotografem cartazes encontrados e informem os locais, para reunir provas às autoridades.
A governadora classificou a ação como “a maior baixaria do planeta” e atribuiu os cartazes ao PT. “É a polícia que vai confirmar ou não”, disse, ao se referir à suspeita de orientação pelo time adversário.
Versão do PT
A campanha de Leandro Grass negou ter produzido, distribuído ou colado os cartazes e afirmou não ser responsável pelo material.
O presidente do PT-DF, Guilherme Sigmaringa, disse que a legenda desconhece os panfletos e as denúncias formalizadas. Ele repudiou a divulgação de informações falsas e questionou por que Celina apontou o partido como responsável antes da conclusão da investigação.
O que ainda não está confirmado
- A identidade completa dos dois investigados e eventual prisão ou indiciamento.
- Se a dupla atuou sozinha ou recebeu ordens e financiamento de terceiros.
- Se os suspeitos são responsáveis pela distribuição dos cartazes em todo o DF, e não apenas em Sobradinho.
- Se haverá responsabilização do PT-DF, já que a campanha de Grass nega envolvimento e a apuração policial e eleitoral segue em curso.




