Mãe e irmão de Oruam são presos em operação da PF contra Comando Vermelho

A Polícia Federal prendeu na manhã desta segunda-feira (19) Márcia Gama dos Santos Nepomuceno, mãe do rapper Oruam e esposa de Márcio dos Santos Nepomuceno, o Marcinho VP, apontado como um dos líderes do Comando Vermelho. A ação também resultou na prisão de Lucas Santos Nepomuceno, o Lucca, irmão do cantor.

A operação, autorizada pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, mira uma estrutura ligada ao CV que, segundo a PF, impõe pela força o monopólio do fornecimento de internet nos Complexos do Alemão, da Penha e do Chapadão, no Rio de Janeiro.

Agentes federais cumpriram 23 mandados de prisão preventiva e 24 mandados de busca e apreensão expedidos pelo STF. As diligências ocorreram no Rio de Janeiro, Nova Iguaçu, São João de Meriti, Teresópolis, Maricá e Magé.

A ação alcançou imóveis de alto padrão, incluindo condomínios de luxo na Barra da Tijuca, na Zona Oeste do Rio. Márcia Gama e Lucca foram conduzidos à delegacia após as prisões.

A Justiça também determinou o bloqueio cautelar de bens e recursos financeiros no valor de R$ 558 milhões, atingindo 40 pessoas físicas e 42 empresas investigadas.

Márcia Gama e Lucas Santos Nepomuceno, conhecido como Lucca, foram alvos de mandados de prisão expedidos pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF). A operação incluiu ainda um mandado contra Márcio Santos Nepomuceno, o Marcinho VP, pai de Oruam. Como ele já estava preso, a ordem judicial foi cumprida na unidade prisional onde se encontra.

Quem é Márcia Gama

Márcia Gama é empresária, mãe de Oruam e de Lucca Nepomuceno, e companheira de Marcinho VP, que cumpre pena no sistema prisional. Segundo as investigações, ela seria um dos elos de comunicação entre lideranças do CV dentro dos presídios e integrantes da facção em liberdade.

Ela já havia sido alvo de mandados de prisão em março e abril deste ano, no âmbito das operações Contenção Red Legacy e Contenção, ambas voltadas à estrutura financeira e territorial do Comando Vermelho. Na época, não foi localizada e chegou a ser considerada foragida.

Em junho, a Justiça do Rio concedeu habeas corpus e revogou a prisão preventiva de Márcia, impondo medidas cautelares: tornozeleira eletrônica, recolhimento domiciliar noturno, proibição de frequentar comunidades controladas pelo CV e o presídio onde Marcinho VP está preso, além de vedação de deixar o estado e comparecimento periódico à Justiça.

O que a investigação aponta

A PF investiga a suspeita de que o grupo usava armas, ameaças e intimidação para controlar o mercado de internet em comunidades do Rio, impedindo a atuação de concorrentes e explorando serviços essenciais à população.

Os investigados também respondem, conforme apuração divulgada, por extorsão majorada, atentado contra a segurança de serviço de utilidade pública, interrupção de serviço telemático, desenvolvimento clandestino de atividades de telecomunicações e lavagem de dinheiro.

Antes desta fase, a Operação Contenção já havia apontado um sistema de recebimento, fracionamento e reinserção de recursos ilícitos na economia formal. Segundo a Polícia Civil, o dinheiro do tráfico era distribuído em contas de terceiros e usado para pagamento de despesas, aquisição de bens e ocultação patrimonial.

Situação de Oruam

Oruam, cujo nome civil é Mauro Davi dos Santos Nepomuceno, está na Europa fazendo apresentações musicais sob medidas cautelares. Ele não foi preso na ação desta segunda-feira.

O rapper é investigado junto com a mãe e o irmão por suposta participação na estrutura financeira do CV. Em abril, ele, Márcia e Lucca haviam sido declarados foragidos pela Polícia Civil do Rio após mandados de prisão ligados à Operação Contenção.