O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, questionou neste domingo (25) a reeleição de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e comparou o resultado da eleição brasileira à disputa americana de 2020, cuja derrota ele jamais reconheceu. Apesar das declarações públicas de Trump, o governo americano ainda não havia anunciado, até a manhã desta segunda-feira (26), se reconhecerá ou não a vitória de Lula.
“Acabaram de aplicar no Brasil o manual de Joe Biden. Bolsonaro tinha uma grande vantagem no primeiro turno e era o claro favorito para vencer o segundo. Mas os comunistas não largam o poder depois que o conseguem”, afirmou Trump, segundo a agência EFE. O presidente americano não apresentou provas de fraude ou irregularidades eleitorais.
Resultado oficial
Lula foi reeleito no segundo turno com 51,77% dos votos válidos, contra 48,23% de Flávio Bolsonaro (PL). A apuração confirmou uma virada sobre o senador, que havia terminado o primeiro turno à frente, com 47,03% dos votos válidos, contra 45,16% do presidente.
O resultado foi proclamado pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) na noite de domingo. Flávio Bolsonaro, filho do ex-presidente Jair Bolsonaro, não reconheceu a derrota e anunciou que pedirá a anulação do pleito na Justiça.
O que Trump disse
Antes da divulgação do resultado, Trump evitou declarar apoio público a qualquer candidato. Questionado sobre se apoiava Lula ou Flávio Bolsonaro, respondeu: “Não quero entrar nesse assunto, mas estamos monitorando”.
Ele também disse que acompanhava a eleição “de muito perto” e previu um segundo turno “muito apertado”. Após o primeiro turno, Trump havia classificado a vantagem de Flávio como uma “grande vitória”, embora sem endossá-lo formalmente.
Depois da confirmação da virada de Lula, Trump passou a questionar o pleito. Em declarações repercutidas pela imprensa internacional, comparou o resultado brasileiro à eleição americana de 2020 e repetiu a tese, sem evidências, de que haveria um “manual” para impedir a vitória de candidatos de direita.
Posição oficial dos EUA
A declaração de Trump não equivale, até o momento, a uma decisão formal do governo americano de não reconhecer a eleição brasileira. A Casa Branca não anunciou sanções, rompimento diplomático nem uma recusa oficial ao resultado proclamado pelo TSE.
A cautela contrasta com a postura de outros líderes internacionais, que parabenizaram Lula nas horas seguintes à apuração. A ausência de uma posição formal do governo dos EUA, no entanto, mantém aberta a possibilidade de tensão diplomática entre os dois países.
Pressão do entorno de Trump
A contestação ganhou força no círculo próximo ao presidente americano. O advogado Martin De Luca, que atua em nome de uma empresa ligada a Trump, afirmou que a decisão do ministro Cristiano Zanin, do STF, de prorrogar o horário de votação poderia impactar o reconhecimento dos resultados pelos Estados Unidos.
“Há uma preocupação crescente no Brasil de que os EUA e outros países possam não reconhecer o resultado do pleito, diante das graves irregularidades que vieram à tona no momento do encerramento da votação”, escreveu De Luca em sua rede social. Ele também citou a recusa de Flávio Bolsonaro em reconhecer a derrota.
Donald Trump Jr. também repercutiu críticas à prorrogação da votação. Até o momento, porém, essas manifestações partiram de aliados e integrantes do entorno político do presidente americano — não de uma decisão oficial da Casa Branca.
Contexto da relação bilateral
A eleição brasileira ocorre em um momento de atrito entre Brasília e Washington. Durante a campanha, Lula acusou o governo Trump de interferir no processo eleitoral brasileiro para favorecer Flávio Bolsonaro; o presidente americano negou apoio formal ao adversário, mas elogiou seu desempenho no primeiro turno.
A relação entre os dois governos já era marcada por tarifas americanas sobre produtos brasileiros e por pressões envolvendo a persecução penal de Jair Bolsonaro. A recusa de Flávio em reconhecer a derrota e as críticas de aliados de Trump à Justiça Eleitoral tendem a aprofundar esse confronto.





