Por Victório Dell Pyrro
O brasileiro não deve mesmo ligar para o próprio bolso. No domingo, reelegeram o pior gestor público das últimas década, o petista Lula. Ou quem botou nele não entende de economia ou a opção que tinham para votar podia ser pior ainda. Vai saber, não é mesmo? Só saberíamos se tivéssemos tirado os trapalhões do poder.
Para se ter uma ideia da incompetência petista, as empresas estatais federais fecharam setembro com déficit primário de R$ 2 bilhões, o pior resultado para o mês desde o início da série histórica do Banco Central, em 2002. No acumulado de janeiro a setembro, o rombo chegou a R$ 8,5 bilhões — também recorde para o período e já superior ao pior ano fechado da série, 2024, quando o déficit foi de R$ 6,73 bilhões.
O resultado é um sinal de alerta para a gestão fiscal do governo Lula. Ainda que a Petrobras, a Eletrobras e os bancos públicos não entrem na estatística, o desempenho das demais estatais federais mostra que o Estado continua sustentando empresas com receitas insuficientes, custos elevados e dependência crescente de aportes ou endividamento.
O tamanho do rombo
Em setembro, as estatais federais tiveram déficit de R$ 2,014 bilhões. No mesmo mês de 2025, o saldo negativo havia sido de R$ 751 milhões, o que representa um agravamento de quase 168% em valores nominais.
De janeiro a setembro, o déficit somou R$ 8,532 bilhões. O número supera o resultado negativo de R$ 6,3 bilhões registrado no mesmo período de 2025 e ultrapassa o recorde anual anterior, de R$ 6,73 bilhões, fechado em 2024.
Quando somadas também as estatais estaduais e municipais, o déficit do setor no mês foi de R$ 3,4 bilhões. No acumulado do ano, o resultado negativo do conjunto das empresas estatais chegou a R$ 11,4 bilhões, equivalente a 0,11% do PIB.
Quais empresas entram na conta
A estatística do Banco Central exclui a Petrobras, a Eletrobras e os bancos públicos, como Banco do Brasil, Caixa e BNDES. Entram, entre outras, os Correios, a Infraero, a Casa da Moeda, o Serpro, a Dataprev, a Emgepron, a Hemobrás e a Emgea.
Por isso, o resultado expõe principalmente a fragilidade de estatais menores, dependentes ou em crise estrutural — não o desempenho das grandes companhias de energia e petróleo. É justamente esse grupo que concentra o agravamento das contas públicas federais.
Correios puxam o rombo
O principal agravante apontado por economistas e autoridades é a situação dos Correios. A estatal acumula prejuízos consecutivos e registrou resultado negativo de R$ 5,6 bilhões apenas no primeiro semestre de 2026.
A empresa enfrenta queda de demanda por serviços tradicionais, concorrência de plataformas privadas de logística, custos trabalhistas elevados e dificuldade de adaptação ao mercado digital. O Banco Central não detalhou empresa por empresa o resultado de setembro, mas reconheceu que o déficit das federais foi o pior da série para o mês.
Como o governo chegou ao recorde
O rombo não nasceu em setembro. Ele é resultado de uma combinação de decisões e omissões do governo Lula ao longo dos últimos anos.
Primeiro, o governo manteve estatais deficitárias sem um plano consistente de reestruturação. Os Correios, por exemplo, continuaram operando com modelo de negócio defasado, enquanto a necessidade de ajuste era adiada.
Segundo, houve ausência de disciplina no uso do dinheiro público. Em vez de exigir metas de eficiência, redução de custos e recuperação de receita, o Executivo permitiu que empresas com prejuízo crônico seguissem consumindo recursos que poderiam ser destinados a investimentos, saúde, educação ou redução da dívida.
Terceiro, a política fiscal do governo priorizou a preservação de estruturas e apoios políticos em vez de reformas administrativas. O resultado é que estatais que deveriam prestar serviços com sustentabilidade financeira passaram a representar uma fonte adicional de pressão sobre o Tesouro Nacional.
O contraste com o discurso fiscal
O governo Lula costuma apresentar o resultado do setor público consolidado como evidência de disciplina fiscal. Em setembro, o setor público teve déficit primário de R$ 5,5 bilhões, melhor resultado para o mês desde 2022, e o governo central registrou superávit de R$ 3,5 bilhões.
Mas o dado esconde um problema relevante: parte da melhora do conjunto depende de Estados e municípios ou de resultados pontuais, enquanto as estatais federais pioram de forma estrutural. Um superávit no Tesouro não compensa um rombo recorde em empresas que dependem, direta ou indiretamente, de recursos públicos.
Risco para o contribuinte
O déficit das estatais não é apenas uma estatística contábil. Quando uma empresa pública não consegue se sustentar, o custo tende a ser transferido ao Tesouro, por meio de capitalização, subsídios, renegociação de dívidas ou endividamento garantido pelo Estado.
Esse movimento pressiona a dívida pública, que chegou a 82,9% do PIB em setembro, maior patamar desde 2021. Com juros elevados e espaço fiscal reduzido, cada bilhão destinado a cobrir rombo de estatal deixa de financiar prioridades sociais ou investimentos produtivos. E pior, os juros altos impedem o brasileiro de pagar as voltas. Nunca antes na história desse país, tantas famílias estiveram tão endividadas.
O que falta ao governo
Para reverter o quadro trágico, o governo precisaria apresentar um plano público, auditável e com prazos para as estatais deficitárias. Isso incluiria reestruturação societária, revisão de contratos e folha de pagamento, venda ou encerramento de atividades inviáveis, metas de eficiência e transparência sobre aportes do Tesouro.
Até agora, porém, o que os números mostram é o contrário: em vez de conter o sangramento, o governo permitiu que o déficit das estatais federais atingisse o maior nível em mais de duas décadas. O resultado de setembro confirma que a fragilidade deixou de ser um problema pontual e se tornou uma conta crescente para o contribuinte brasileiro. De novo.





