Democratas assumem controle do Congresso dos EUA e impõem derrota eleitoral a Trump

Os eleitores dos Estados Unidos retiraram do presidente Donald Trump o controle do Congresso nesta terça-feira (3). Nas eleições de meio de mandato, o Partido Democrata conquistou a maioria tanto da Câmara dos Deputados quanto do Senado, encerrando dois anos de domínio republicano nas duas Casas.

A apuração seguia nesta quarta-feira (4), mas as principais projeções eleitorais já davam a vitória democrata nas duas câmaras. O resultado cria um governo dividido a partir de janeiro de 2027, quando o novo Congresso assumir.

As eleições foram realizadas em todo o território americano nesta terça-feira (3). Os eleitores escolheram os 435 membros da Câmara dos Deputados e 35 das 100 cadeiras do Senado.

A disputa ocorreu no meio do segundo mandato de Trump, que assumiu a presidência em janeiro de 2025. As midterms são tradicionais eleições legislativas realizadas a cada quatro anos, entre uma eleição presidencial e outra.

Os democratas venceram ao superar as metas mínimas para assumir o controle das duas Casas. Para dominar a Câmara, precisavam de um ganho líquido de três cadeiras; no Senado, de quatro assentos.

Segundo analistas, a insatisfação com o custo de vida, os preços elevados, a guerra no Irã e preocupações com corrupção pesaram contra os republicanos. O Partido Democrata também teve bom desempenho em estados historicamente conservadores, o que ampliou a derrota do partido do presidente.

Até a manhã desta quarta-feira (4), a Associated Press registrava 224 cadeiras para os democratas, 134 para os republicanos e 77 disputas ainda sem resultado definido. A maioria absoluta na Câmara exige 218 dos 435 assentos.

Os democratas conquistaram distritos em estados como Califórnia, Colorado, Iowa, Kentucky, Missouri, Carolina do Norte, Nebraska, Nova Jersey, Ohio, Pensilvânia e Virgínia. Com a nova maioria, o líder democrata Hakeem Jeffries aparece como favorito para presidir a Câmara a partir de janeiro de 2027. Se eleito, será o primeiro negro a ocupar o cargo na história do país.

No Senado, os democratas alcançaram 53 das 100 cadeiras, contra 42 dos republicanos, com cinco resultados ainda a definir. A maioria necessária para controlar a Casa é de 51 assentos.

O partido conquistou sete cadeiras que estavam com os republicanos, em Ohio, Iowa, Carolina do Sul, Maine, Carolina do Norte, Kansas e Texas. Entre os resultados mais marcantes estão a vitória de James Talarico sobre Ken Paxton, no Texas, a derrota da senadora Susan Collins para Troy Jackson, no Maine, e a eleição de Annie Andrews, na Carolina do Sul.

Talarico se tornou o primeiro democrata a vencer uma vaga ao Senado pelo Texas desde 1988. Andrews será a primeira mulher eleita senadora pela Carolina do Sul.

Reação de Trump

Trump afirmou que aceitará o resultado, mas minimizou a derrota republicana. Em entrevista, disse não considerar as perdas do partido um golpe contra sua gestão.

A perda do Congresso, porém, reduz a capacidade do presidente de aprovar leis e confirmar indicações sem negociação. A partir de janeiro de 2027, os democratas poderão presidir comissões, abrir investigações sobre o Executivo e influenciar a tramitação do orçamento federal.

O que vem depois

O novo Congresso será empossado em janeiro de 2027. Até lá, a composição atual segue em funções, mas o resultado já altera o equilíbrio político do país e aumenta a resistência parlamentar à agenda de Trump nos dois anos finais de seu mandato.