Rogério Marinho lança candidatura à presidência do Senado

Atual líder da Oposição entra na disputa interna na Casa Alta.

O senador Rogério Marinho (PL-RN), atual líder da oposição no Senado, lançou nesta quarta-feira (4) sua candidatura à presidência da Casa para o biênio 2027-2028. O anúncio foi feito após reunião da bancada do Partido Liberal, em Brasília, e coloca o senador potiguar em rota de colisão com o atual presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), que busca a reeleição.

A eleição está marcada para 1º de fevereiro de 2027, primeiro dia da próxima legislatura. Para vencer, o candidato precisará de pelo menos 41 votos entre os 81 senadores, em votação secreta.

Marinho parte com a maior bancada do Senado na próxima legislatura. A partir de fevereiro de 2027, o PL terá 29 das 81 cadeiras da Casa, mais de um terço do plenário.

O senador também conta com o apoio formal do Novo, que terá três representantes. Somadas, as duas bancadas formam uma base potencial de 32 votos — o que significa que Marinho ainda precisará conquistar ao menos nove adesões fora desse grupo para alcançar a maioria absoluta.

Durante o lançamento, o PL afirmou reunir 33 senadores, incluindo parlamentares do Novo, do Republicanos e do PP. Marinho chegou a afirmar que já contaria com mais de 40 apoios, número que ainda precisará ser confirmado na votação.

O principal adversário de Marinho será Davi Alcolumbre, atual presidente do Senado. O senador do União Brasil articula a reeleição e conta com apoio de setores do Centrão e de partidos da base do governo Lula, como PT, PSB, PDT, Rede, MDB e PSD.

A reeleição de Alcolumbre dependeria de uma aliança que, segundo projeções políticas, reuniria cerca de 39 parlamentares — número ainda abaixo dos 41 necessários para vencer com quórum completo. A disputa, portanto, deve ser decidida por adesões de última hora e pela capacidade de cada candidato de unificar seu campo.

A senadora Tereza Cristina (PP-MS) também manifestou interesse em disputar a presidência do Senado, o que divide o campo da direita e do Centrão. Diferentemente de Marinho, ela ainda não lançou oficialmente sua candidatura.

Marinho afirmou que existe um acordo com Tereza Cristina para que os dois não concorram um contra o outro. A expectativa é de que, em janeiro, o nome considerado menos viável desista da disputa, permitindo a unificação da oposição contra Alcolumbre.

“Continuamos a conversar. Nós já temos um acordo. Não seremos candidatos um contra o outro”, declarou o líder da oposição.

Anistia e voto aberto

A candidatura de Marinho também carrega uma pauta política central: destravar a votação da anistia aos condenados pela tentativa de golpe de Estado, incluindo o ex-presidente Jair Bolsonaro. O senador defendeu ainda o voto aberto na eleição da Mesa Diretora do Senado.

A eleição da presidência do Senado, porém, é secreta. Isso reduz a eficácia da pressão pública por declarações de voto e aumenta a incerteza sobre o tamanho real das bases de Marinho e Alcolumbre.

O que está em jogo

Se vencer, Marinho assumiria o comando do Senado em um momento de Congresso mais alinhado à direita e ao bolsonarismo, com o PL como maior força da Casa. A presidência do Senado dá ao ocupante do cargo controle sobre a pauta, a tramitação de projetos e a composição de comissões.

Se Alcolumbre for reeleito, o atual presidente manterá sua influência sobre a agenda legislativa e seguirá como um interlocutor central do governo Lula no Congresso. A disputa, portanto, não é apenas uma eleição interna: define quem controlará uma das principais casas do poder Legislativo brasileiro nos próximos dois anos.

A eleição para a presidência do Senado ocorre na primeira semana de fevereiro, em votação secreta (sem registro nominal de votos).