O Ministério Público de São Paulo (MP-SP) e a Polícia Civil deflagraram nesta quinta-feira (5) a segunda fase da Operação Laziosi, que investiga uma organização suspeita de vender medicamentos oncológicos falsificados e lavar dinheiro. Entre os alvos está a distribuidora Nacionalfarma, de Araraquara, acusada de ter comercializado um imunoterápico falso a um hospital da capital paulista.
A investigação começou em 2024, quando o laboratório fabricante identificou a venda de uma unidade falsificada de um medicamento de alto custo usado no tratamento do câncer. Exames posteriores confirmaram que os frascos não tinham princípio ativo.
Como a fraude foi descoberta
O caso teve origem em maio de 2024, quando o Hospital Igesp, em São Paulo, adquiriu uma unidade do imunoterápico Keytruda da distribuidora Nacionalfarma. O laboratório Merck Sharp & Dohme (MSD), detentor do registro do medicamento, denunciou a comercialização de um lote falsificado.
A perícia oficial confirmou a falsificação. A partir daí, o Gaeco e a Polícia Civil passaram a investigar a rede de empresas ligadas à distribuidora, incluindo suspeitas de uso de firmas de fachada e movimentação financeira irregular.
O que a operação fez
Nesta quinta-feira (5), a segunda fase da Operação Laziosi cumpriu três mandados de prisão preventiva e 18 mandados de busca e apreensão. As ações ocorreram em Araraquara, Matão, Marília, Agudos, Mirassol e na capital paulista.
A Justiça também determinou o bloqueio de até R$ 15 milhões em bens e valores dos investigados, de empresas ligadas a eles e de supostos laranjas. Sete empresas tiveram as atividades suspensas.
Quem foram os presos
Foram presos Nalva Braz do Nascimento, Petter Gabriel Cavalcante Chagas e Sharlene Chaves Barbosa. Segundo a investigação, Nalva controlava a distribuidora Nacionalfarma; Petter atuava na relação com o mercado hospitalar; e Sharlene participava das operações financeiras por meio de empresas interligadas.
A primeira fase da operação ocorreu em novembro de 2024. Apesar disso, documentos reunidos pelos investigadores indicam que a Nacionalfarma continuou funcionando.
Escala do esquema
Entre janeiro e novembro de 2024, as vendas declaradas do medicamento falsificado superaram R$ 1,5 milhão, para clientes em pelo menos sete estados. O MP-SP investiga se a rede continuou operando mesmo após a primeira fase da operação.
Em abril de 2025, segundo o Ministério Público, a distribuidora teria vendido a um hospital do interior paulista mais nove unidades de outro medicamento oncológico, cuja falsificação também foi constatada pelo laboratório detentor do registro.
Risco para pacientes
Medicamentos falsificados contra o câncer representam um risco direto à vida de pacientes em tratamento. Sem princípio ativo, o produto não tem eficácia terapêutica e pode atrasar ou comprometer o tratamento oncológico.
A investigação apura crimes de falsificação, comercialização de medicamento adulterado, lavagem de dinheiro e organização criminosa. O MP-SP e a Polícia Civil seguem apurando o alcance do esquema, os beneficiários financeiros e os destinos dos produtos falsificados.





