Presidente do Paraguai renuncia após colapso de banco

O presidente do Paraguai, Santiago Peña, anunciou nesta quinta-feira (5) sua renúncia ao cargo, em meio à crise provocada pelo colapso do Ueno Bank, um dos principais bancos digitais do país. A decisão foi tomada enquanto o Congresso iniciava um processo de impeachment contra ele e protestos tomavam as ruas de Assunção.

“Tomei a decisão de apresentar minha renúncia à Presidência da República. Faço isso pensando na estabilidade do nosso país, na paz social e na necessidade de preservar nossas instituições democráticas”, declarou Peña em vídeo publicado nas redes sociais.

A quebra do Ueno Bank

A crise começou na terça-feira (3), quando o Banco Central do Paraguai interveio no Ueno Bank após concluir que a instituição havia violado requisitos mínimos de solvência. O banco foi colocado em liquidação, e cerca de 3 milhões de clientes — quase metade da população do país, estimada em 6,5 milhões — perderam acesso às contas e aos investimentos.

Segundo o Banco Central, a investigação identificou empréstimos mal documentados a empresas ligadas aos donos do banco e despesas contabilizadas indevidamente como ativos. Após a correção dos livros, o capital do Ueno caiu para menos da metade do mínimo legal.

O Ueno Bank, ligado ao Grupo Vázquez, era o maior emissor de cartões de crédito do Paraguai e administrava cerca de US$ 850 milhões em recursos públicos. A instituição cresceu rapidamente de uma fintech de nicho para um banco de médio porte.

Pressão política e impeachment

A renúncia de Peña ocorreu horas depois de a oposição abrir um processo de destituição no Congresso. Os parlamentares acusaram o presidente de conflito de interesses, uso indevido de fundos de previdência, manipulação da regulação e encobrimento institucional ligado ao colapso do banco.

Peña havia sido acionista de uma empresa relacionada ao Ueno Bank até o ano passado. A ligação com a instituição, somada à perda de apoio dentro do próprio partido, acelerou a queda do presidente.

Minutos após o anúncio da renúncia, a Câmara dos Deputados do Paraguai aprovou por unanimidade o impeachment de Peña. O Congresso agora precisa decidir se aceita ou rejeita o pedido de renúncia.

Protestos e crise social

A quebra do banco provocou três dias de protestos na capital paraguaia. Correntistas, aposentados e pequenos empresários foram às ruas exigindo acesso aos depósitos e a saída do presidente.

O bloqueio das contas afetou cerca de 40% da população e paralisou parte do comércio nacional. A crise também pressionou o guarani, moeda paraguaia, e elevou o risco percebido por investidores internacionais.

Quem assume o poder

O vice-presidente Pedro Alliana assume a Presidência. A Constituição paraguaia prevê que ex-presidentes que deixam o cargo sem serem destituídos se tornam senadores vitalícios.

A renúncia de Peña encerra uma crise política e financeira que abalou o Paraguai em menos de uma semana. O país agora aguarda a decisão do Congresso sobre o futuro institucional e a recuperação dos depósitos de milhões de correntistas.