A Polícia Federal concluiu nesta sexta-feira, 27 de fevereiro de 2026, o inquérito que apura um esquema de vazamento de informações sigilosas, tráfico de influência e suposta articulação entre política, Judiciário e facções criminosas no Rio de Janeiro. Foram indiciados por organização criminosa, obstrução de Justiça e favorecimento pessoal o deputado estadual e presidente licenciado da Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro, Rodrigo Bacellar (União Brasil), o ex-deputado TH Joias (Thiego Raimundo dos Santos Silva, MDB) e outras três pessoas. A investigação descreve a existência de um suposto “Estado paralelo”, com loteamento político e infiltração institucional para proteger interesses do Comando Vermelho (CV) em comunidades como o Complexo do Alemão e a Maré.
As apurações tiveram início a partir da Operação Zargun, deflagrada em setembro de 2025. À época, TH Joias foi preso sob suspeita de tráfico de drogas, corrupção ativa e passiva, lavagem de dinheiro e associação ao Comando Vermelho. Segundo a Polícia Federal, ele utilizava o mandato parlamentar para favorecer a facção, inclusive com a nomeação de aliados em cargos estratégicos na Alerj e o acesso a informações sigilosas. A investigação aponta ainda que o ex-deputado estaria envolvido na importação de armas do Paraguai e de equipamentos antidrones da China, posteriormente revendidos, inclusive a grupos rivais como o PCC.
De acordo com o inquérito, TH Joias teria sido indicado politicamente ao governo estadual e mantinha influência na estrutura administrativa. A Polícia Federal sustenta que o parlamentar estabeleceu “vínculos estáveis” com integrantes da cúpula do Comando Vermelho, em especial com Edgar Alves de Andrade, conhecido como “Doca” ou “Urso”, apontado como um dos líderes da facção no Complexo do Alemão. O objetivo seria garantir proteção institucional, acesso antecipado a operações policiais e manutenção de áreas sob domínio do grupo criminoso.
A situação se agravou com a deflagração da Operação Unha e Carne, em 3 de dezembro de 2025, quando Rodrigo Bacellar foi preso por determinação do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal. A PF afirma que Bacellar teria alertado TH Joias horas antes da Operação Zargun, orientando a “remoção de objetos” e medidas para evitar a apreensão de materiais comprometedores. Mensagens interceptadas indicariam tentativa de obstrução das investigações. Durante as buscas, os agentes apreenderam documentos com pedidos de natureza política e aparelhos celulares registrados em nome de terceiros, considerados “laranjas”.
A defesa de Rodrigo Bacellar nega irregularidades. O advogado Daniel Bialski classificou o indiciamento como “arbitrário e abusivo”, enquanto o defensor Bruno Borragini afirmou que o deputado “não praticou qualquer conduta ativa para obstruir a Justiça”. Já TH Joias, que perdeu o mandato após a prisão, também contesta as acusações.
Além de Bacellar e TH Joias, foram indiciados Flávia Júdice Neto, ex-assessora da Alerj e esposa do desembargador Macário Júdice; Jéssica Oliveira Santos, apontada como ligada ao ex-deputado no esquema; e Tharcio Nascimento Salgado, descrito como colaborador nas frentes de tráfico de influência e lavagem de dinheiro. Segundo a Polícia Federal, Flávia teria repassado dados sigilosos de investigações ao grupo criminoso. O desembargador não foi indiciado em razão do foro por prerrogativa de função, mas sua conduta é analisada pela Procuradoria-Geral da República.
A Operação Zargun resultou em 18 prisões, 22 mandados de busca e apreensão e bloqueio de aproximadamente R$ 40 milhões em bens e valores, com decisões confirmadas pelo TRF-2. Já a Operação Unha e Carne aprofundou a apuração sobre o vazamento de informações estratégicas, incluindo quebras de sigilo telefônico e bancário. O inquérito foi encaminhado ao Supremo Tribunal Federal.
Mensagens analisadas pela PF também mencionam o ex-governador Sérgio Cabral, embora não haja, até o momento, indiciamento formal relacionado a esse ponto específico. O governador Cláudio Castro, citado como aliado político de Bacellar, negou qualquer influência ou interferência nas investigações.
Em relatório, a Polícia Federal afirma que a organização investigada buscava “garantir sigilo, antecipação de medidas e impunidade a integrantes de facção criminosa”, com infiltração em estruturas administrativas e possível conexão com membros do Judiciário. O Ministério Público do Rio de Janeiro acompanha as apurações e avalia desdobramentos na esfera estadual.



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