Ex-presidente, preso na Papudinha, escreve à mão para pedir união no campo conservador e condenar críticas internas à ex-primeira-dama.
Da prisão onde cumpre pena desde novembro de 2025, o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) escreveu uma carta em que defende a esposa Michelle Bolsonaro (PL) e condena ataques vindos “da própria direita”. O texto, remetido a aliados, surge em meio a um racha público no bolsonarismo, com desavenças entre Michelle e filhos como Eduardo e Flávio sobre alianças políticas do PL.
Na carta, Bolsonaro expressa lamento pelas críticas a Michelle e aliados como o deputado Nikolas Ferreira (PL-MG), sem citar nomes diretamente. “Lamento os ataques da própria direita contra Michelle e nossos aliados; apoios devem vir pelo diálogo e convencimento, nunca por pressões ou ataques entre nós”, escreveu, pregando união para os protestos contra Lula e o STF marcados para este domingo. Ele pede que Michelle se envolva menos na política por ora, focando na saúde da filha Laura e nele próprio.
Michelle criticou alianças do PL com Ciro Gomes no Ceará, irritando Flávio e Eduardo, que a acusaram de “atropelar” o pai. Eduardo chegou a falar em “amnésia” dela e de Nikolas quanto ao apoio a uma pré-candidatura de Flávio ao Planalto em 2026. Michelle rebateu nas redes, defendendo seu direito de discordar e pedindo perdão aos enteados, mas reafirmando valores conservadores.
Bolsonaro, que já escreveu cartas românticas à esposa – como uma para os 18 anos de casamento, lida por ela nas redes (“Sou 100% fiel ligado a você”) – usa o novo texto para mediar. Aliados interpretam como recado para preservar Michelle, presidente do PL Mulher, que tem rodado o país fortalecendo o grupo evangélico e feminino.
A carta reforça o apelo à coesão da direita, em momento de atos pró-Bolsonaro e pré-campanha de 2026 neste domingo (1).
Veja imagem da carta de Bolsonaro:

Leia a íntegra da carta:
Dirijo-me a todos que comungam conosco dos mesmos valores — Deus, pátria, família e liberdade — para dizer que lamento as críticas da própria direita dirigidas a alguns colegas e à minha esposa.
A Michelle, pedi para só se envolver na política após março/26, já que a mesma se encontra por demais ocupada no atendimento da nossa filha Laura, recém-operada, bem como nos cuidados à minha pessoa.
Numa campanha majoritária, bem como nas cobiçadas vagas para o Senado, os apoios devem vir pelo diálogo e convencimento, nunca por pressões ou ataques entre aliados.
Meu muito obrigado a todos pelo carinho e consideração.
Da nossa união, o futuro do Brasil.


