Deputado mineiro pede apuração de suposta relação entre ministro do STF e Daniel Vorcaro e avalie eventuais indícios de crime do magistrado
O deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG) protocolou nesta sexta-feira (6) um ofício na Procuradoria-Geral da República (PGR) pedindo que o órgão avalie a abertura de investigação contra o ministro Alexandre de Moraes, do STF, e, em cenário extremo, a decretação de prisão preventiva como medida cautelar.
A iniciativa se apoia em reportagens sobre supostas trocas de mensagens entre Moraes e o banqueiro Daniel Vorcaro, controlador do Banco Master, e mira eventuais crimes como obstrução de Justiça e interferência em investigações.
O que exatamente Nikolas pediu à PGR
No ofício encaminhado ao procurador-geral da República, Paulo Gonet, Nikolas solicita que a PGR avalie se há necessidade de abrir investigação para apurar uma “eventual relação” entre Alexandre de Moraes e o empresário Daniel Vorcaro.
Ele requer que, se forem identificados indícios de crimes, o Ministério Público Federal adote “medidas investigativas cabíveis”, incluindo apuração de possível obstrução de Justiça ou interferência indevida em inquéritos sob responsabilidade do STF.
O deputado ainda pede que, caso durante futuras apurações surjam elementos que indiquem risco à ordem pública, à instrução processual ou à aplicação da lei penal, a PGR considere a adoção de medidas cautelares pessoais mais gravosas contra Moraes. Nesse ponto, ele cita expressamente a hipótese de prisão preventiva do ministro, condicionada ao preenchimento dos requisitos legais, como uma dessas medidas que poderiam ser sugeridas ao Supremo.
Base do pedido: supostas mensagens com banqueiro
A representação de Nikolas se ancora em reportagens que mencionam supostas mensagens trocadas entre Moraes e Daniel Vorcaro, controlador do Banco Master, divulgadas pela imprensa.
Segundo o parlamentar, as publicações “sugerem a existência de possíveis interações e circunstâncias que merecem esclarecimento institucional”, em razão do potencial impacto na confiança pública nas instituições.
No documento, ele alega que, se confirmadas, essas interações poderiam levantar dúvidas sobre eventual favorecimento, influência indevida ou conflito de interesses em processos sob responsabilidade do ministro. Por isso, reivindica que a PGR analise o conteúdo do material noticiado, colha informações adicionais se necessário e esclareça se houve alguma conduta que configure crime ou desvio funcional.
Prisão preventiva como “medida cautelar eventual”
Um dos pontos centrais do ofício é a menção à prisão preventiva como uma possibilidade a ser considerada pela PGR, e não um pedido direto para que o órgão já requeira a detenção de Moraes.
Nikolas afirma que, “caso no curso das apurações venham a emergir elementos” que evidenciem risco à ordem pública, à instrução processual ou à aplicação da lei penal, o Ministério Público deve avaliar a adoção de medidas cautelares pessoais mais severas.
Nesse contexto, o deputado cita, entre essas medidas, a prisão preventiva do ministro, desde que “presentes os requisitos legais”.
Do ponto de vista jurídico, isso significa que o parlamentar tenta enquadrar seu pedido nos parâmetros do Código de Processo Penal, que permite a prisão preventiva para garantir a ordem pública, a conveniência da instrução criminal ou a aplicação da lei penal, quando houver indícios de crime e periculosidade na conduta investigada.
Escalada do embate político com Moraes
O ofício à PGR se insere em um histórico de embates de Nikolas Ferreira com Alexandre de Moraes e com decisões do STF. [4][5][6] Em fevereiro de 2026, durante o ato “Acorda, Brasil”, o deputado afirmou publicamente que o “destino” do ministro “não é o impeachment, é a cadeia”, num discurso em que prometeu “tirar Moraes da cadeira” e criticou o que chama de abusos do Supremo.
Antes disso, Nikolas já havia apresentado pedido de impeachment contra Moraes, alegando supostas “prisões preventivas arbitrárias”, “censura prévia” e “quebra de sigilos” em decisões ligadas a investigações de bolsonaristas e de ataques às instituições.
O deputado também é alvo de decisões do próprio Moraes: em 2023, o ministro determinou que a PGR se manifestasse sobre pedido para suspender perfis de Nikolas nas redes sociais, após um discurso considerado transfóbico no plenário da Câmara, o que aprofundou o desgaste entre ambos.
Implicações jurídicas e políticas
A iniciativa de pedir à PGR que avalie uma eventual prisão preventiva de um ministro do STF é inédita no grau de confrontação política e jurídica, e abre um novo capítulo na crise entre setores bolsonaristas e o Supremo.
Do ponto de vista institucional, caberá à PGR decidir se há base mínima para abrir investigação, se arquiva o pedido ou se adota diligências preliminares antes de se manifestar ao STF sobre qualquer medida cautelar.
Politicamente, o movimento reforça a estratégia de Nikolas de se projetar como um dos principais porta-vozes da direita mais radical contra Moraes, num ambiente ainda marcado pela prisão do ex-presidente Jair Bolsonaro e por decisões do Supremo em inquéritos sobre atos antidemocráticos e milícias digitais.
O pedido de Nikolas não obriga a PGR a agir: é uma notícia de fato/representação que pode ser arquivada liminarmente, gerar diligências preliminares sigilosas ou resultar em requerimento formal de abertura de inquérito no STF.
Só após essa etapa, e apenas se surgirem elementos muito fortes, a PGR poderia cogitar pedir qualquer medida cautelar, como afastamento do cargo, restrições específicas ou, em último grau, prisão preventiva.


