Justiça italiana autoriza extradição da ex-deputada Carla Zambelli

Zambelli ainda deve recorrer à última instância da Justiça italiana

A Corte de Apelação de Roma autorizou nesta quinta-feira (26) a extradição da ex-deputada federal Carla Zambelli (PL-SP) para o Brasil, onde ela enfrenta condenações do Supremo Tribunal Federal (STF) por crimes graves.

Presa na Itália desde 29 de julho de 2025, Zambelli deve recorrer para evitar retornar ao Brasil nas próximas semanas para cumprir pena na Penitenciária Feminina do Distrito Federal (Colmeia), caso o processo se conclua sem reviravoltas.

A decisão foi comunicada formalmente ao governo brasileiro via Embaixada em Roma e ao Ministério das Relações Exteriores. A defesa da ex-parlamentar, liderada pelo advogado Fábio Pagnozzi, confirmou o recebimento do ofício e anunciou recurso imediato à Corte de Cassação, última instância judicial italiana, com prazo de 15 dias.

Crimes que motivam a extradição

Zambelli acumula duas condenações principais no STF, totalizando 15 anos de prisão:

ProcessoPenaDetalhes
Invasão ao CNJ10 anosAcesso não autorizado ao sistema do Conselho Nacional de Justiça para obter dados sigilosos.
Mandado falsoIntegrado ao processoEmissão de prisão falsa contra o ministro Alexandre de Moraes.
Porte ilegal de arma5 anos (Itália)Condenação local por arma de fogo e constrangimento ilegal.

Os crimes ocorreram no contexto de investigações sobre atos antidemocráticos de 8 de janeiro de 2023. Zambelli fugiu para a Itália alegando dupla cidadania ítalo-brasileira, mas perdeu todos os pedidos de refúgio político.

Cronologia do processo italiano

  • Julho 2025: Prisão preventiva em Roma após pedido de extradição do STF.
  • Fevereiro 2026: Conclusão de audiências na Corte de Apelação; defesa teve testemunhas negadas e alegou violações ao contraditório.
  • 26/03/2026: Autorização formal da extradição, com notificação ao Brasil.

A promotoria italiana contestou a cidadania plena de Zambelli, argumentando que sua naturalização brasileira impede dupla nacionalidade ativa. Após a Cassação no Brasil, a decisão final cabe ao Ministério da Justiça italiano.

Os advogados da ex-deputada classificam o processo como “perseguição política” e preveem sucesso no último recurso. Pagnozzi criticou restrições à ampla defesa, como negação de testemunhas e juízes supostamente enviesados – pedido de recusa já rejeitado.

O Itamaraty confirmou ciência da decisão e aguarda trâmites finais, enquanto aliados bolsonaristas mobilizam apoio nas redes contra a “extradição seletiva”.



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