Sicário de Daniel Vorcaro recebia apurações sigilosas do MPF e BC

A jornalista Malu Gaspar, em sua coluna no O Globo publicada nesta quinta-feira (26), expôs mensagens extraídas do celular de Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, mostrando que seu comparsa apelidado de “Sicário” – Luiz Phillipi Machado de Moraes Mourão – enviava relatórios sigilosos do Ministério Público Federal (MPF) e Banco Central (BC) diretamente ao banqueiro. Os documentos, repassados quatro meses antes da prisão de Vorcaro em novembro de 2025, tratavam de irregularidades na venda do Master ao BRB e suspeitas de propina envolvendo um triplex de R$ 60 milhões em São Paulo.

Sicário teria se suicidado momentos após sua prisão no início deste mês.

A revelação surge em meio à decisão do ministro André Mendonça (STF), que determinou nova prisão de Vorcaro e cúmplices, incluindo um ex-PF e estelionatários, por esquema mafioso com infiltração em órgãos estatais. Mensagens mostram Vorcaro ordenando intimidações, como “quebrar todos os dentes” do jornalista Lauro Jardim após nota sobre fraudes no BC, e ameaças a funcionários.

Detalhes das Apurações Vazadas

Malu Gaspar detalha três relatórios sigilosos enviados pelo Sicário em julho de 2025:

  • Dois do MPF sobre a compra frustrada do Banco Master pelo BRB, com irregularidades que motivaram a prisão de Vorcaro.
  • Um sobre uso de triplex de luxo como propina na negociação com o banco estatal de Brasília.

Vorcaro pagava R$ 1 milhão mensais ao Sicário por “atender todos os desejos”, incluindo acesso a sistemas da PF e MPF para monitorar investigações em tempo real. No BC, Paulo Sérgio Souza e Belline Santana – chefes de supervisão – alertavam sobre ações internas e revisavam documentos do banqueiro.

Perfil do Sicário e Rede de Corrupção

Luiz Phillipi Machado de Moraes Mourão, o “Sicário”, atuava como capanga com métodos violentos. Sua morte misteriosa em 2026 intensificou pressões por delação de Vorcaro. A investigação aponta cooptação de agentes públicos:

ÓrgãoEnvolvidosAções Relatadas
Banco CentralPaulo Sérgio Souza, Belline SantanaAvisos sobre fiscalizações; revisão de relatórios.
Polícia FederalMarilson Roseno (ex-escrivão)Acesso a sistemas internos; vazamentos.
MPFFontes infiltradasRelatórios sigilosos sobre Master/BRB.

Vorcaro usava dados ilícitos para “esquentar” informações e difamar rivais, operando como máfia com represálias a jornalistas e concorrentes.

Contexto das Investigações

O Banco Master enfrenta múltiplas operações por fraudes bilionárias em consignados, lavagem e ligações com crime organizado (PCC/CV). A decisão de Mendonça destaca “lógica mafiosa” com ameaças explícitas, como “moer a empregada” e ataques simulados. A coluna de Gaspar reforça temor de que o celular de Vorcaro revele conexões políticas de alto escalão.

Reações e Implicações

O Planalto e BC não comentaram. Opositores cobram aprofundamento, enquanto defesa de Vorcaro nega ilegalidades. A matéria reacende debates sobre segurança de dados sigilosos e influência de banqueiros em reguladores, podendo acelerar delações na CPI do Crime Organizado.


Um comentário

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