O empresário Esdras Jônatas dos Santos, alvo de investigações por atos antidemocráticos ligados aos eventos de 8 de janeiro de 2023, foi preso pelo Serviço de Imigração e Alfândega dos EUA (ICE) e está sob custódia no Centro de Detenção do Condado de Glades, em Moore Haven, na Flórida. A detenção ocorreu na quinta-feira (9), conforme documentos oficiais americanos.
Antecedentes no Brasil
Esdras ganhou destaque no fim de 2022 ao liderar um acampamento em frente ao quartel do Exército em Belo Horizonte (MG), onde manifestantes bolsonaristas pediam intervenção militar e contestavam a vitória de Luiz Inácio Lula da Silva nas eleições. A Polícia Federal o aponta como um dos principais organizadores desses protestos, chegando ao local em Porsche e gravando vídeos para convocar apoiadores aos atos de 8/1. Em janeiro de 2023, o ministro Alexandre de Moraes, do STF, determinou o cancelamento de seu passaporte, bloqueio de contas bancárias e proibição de uso de redes sociais.
Fuga e vida nos EUA
Após os invasões em Brasília em 8 de janeiro de 2023, Esdras fugiu para os EUA na madrugada de 10 de janeiro, com passagem comprada horas antes, segundo a PF. Ele se instalou em Fort Lauderdale, na Flórida, ao lado da ex-mulher Kathy Le Thi Thanh My dos Santos, também procurada. Em junho de 2025, viralizou um vídeo chorando e pedindo socorro a Eduardo Bolsonaro, confirmando seu esconderijo.
Detalhes da prisão
A captura pelo ICE não decorre de mandado criminal americano, mas de questões migratórias, com base em denúncias de um advogado de réus do 8/1 às autoridades dos EUA. Ele permanece detido a cerca de 180 km ao norte de Miami, mas a prisão não implica deportação automática: o processo depende da Justiça de imigração americana, que avaliará liberação, custódia contínua ou extradição, considerando o mandado brasileiro em aberto.
Situação atual e próximos passos
Até o momento, não há confirmação de pedido formal de extradição pelo Brasil, e o caso segue sob análise nos EUA. Esdras é descrito como foragido desde 2023, com investigações apontando seu papel em financiamento e articulação de mobilizações antidemocráticas em MG, incluindo monitoramento de ônibus rumo a Brasília. Autoridades brasileiras e americanas não divulgaram mais detalhes sobre o processo em curso.







