Anvisa emite alerta urgente sobre riscos de pancreatite em canetas emagrecedoras; seis mortes sob investigação no Brasil

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) divulgou nesta segunda-feira (9) um alerta de farmacovigilância sobre o uso de canetas injetáveis conhecidas como “emagrecedoras”. O comunicado reforça os riscos de pancreatite aguda grave, incluindo formas necrotizantes e fatais, diante do aumento significativo de notificações de eventos adversos no Brasil e no exterior. Esse crescimento está ligado ao uso indiscriminado desses produtos fora das indicações aprovadas em bula.

Detalhes do Alerta Oficial

Os medicamentos em foco incluem agonistas de GLP-1 e GIP aprovados no país, com princípios ativos como dulaglutida, liraglutida, semaglutida e tirzepatida – encontrados em marcas como Ozempic, Wegovy, Saxenda e Mounjaro. A Anvisa enfatiza que esses fármacos devem ser usados exclusivamente para diabetes tipo 2, obesidade ou indicações específicas aprovadas, como redução de risco cardiovascular ou apneia do sono, sempre sob prescrição e monitoramento médico rigoroso.

Embora o risco de pancreatite já conste nas bulas, a agência recomenda a interrupção imediata ao menor sinal de sintomas como dor abdominal intensa, náuseas e vômitos. Em caso de confirmação diagnóstica, a retomada está contraindicada. A avaliação confirma que não houve alteração na relação risco-benefício: os medicamentos permanecem seguros e eficazes quando aplicados corretamente.

Casos de Mortes e Notificações no Brasil

O Brasil investiga seis mortes suspeitas por pancreatite associadas às canetas: duas com Ozempic, três com Saxenda e uma com Mounjaro. Além disso, o painel Vigimed registra mais de 200 notificações de pancreatite relacionadas. Esses casos são preliminares e podem envolver produtos falsificados ou importados ilegalmente, comuns em pontos de fronteira como Foz do Iguaçu, no Paraná, e Ponta Porã, no Mato Grosso do Sul.

Pacientes com obesidade ou diabetes já apresentam risco elevado para pancreatite, mas o uso estético sem necessidade clínica agrava as complicações e atrasa diagnósticos precoces.

Contexto de Fiscalizações Anteriores

A Anvisa intensificou ações contra irregularidades nos últimos meses. Em novembro de 2025, proibiu a importação de canetas sem registro, como T.G. 5, Lipoless e Tirzazep Royal. Em agosto do mesmo ano, baniu versões manipuladas biotecnológicas de semaglutida e tirzepatida. Já em janeiro de 2026, interditou produtos das marcas Synedica e TG, além de retatrutida experimental. A Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia (SBEM) apoia as medidas, alertando para a ausência de estudos sobre essas versões manipuladas.

Recomendações e Impactos

Médicos devem notificar eventos adversos pelo sistema Notivisa e priorizar pacientes devidamente qualificados. Consumidores precisam evitar compras online ou sem receita médica, devido ao alto risco de falsificações. Endocrinologistas como Sandy Agostinete destacam que, com orientação adequada, efeitos colaterais como náuseas ou queda temporária de cabelo são gerenciáveis.

O alerta reflete a popularização das canetas impulsionada por influenciadores, que elevam a demanda por emagrecimento rápido, mas expõem vulnerabilidades no mercado paralelo. A Anvisa reforça o compromisso com a farmacovigilância para proteger a população, sem comprometer o uso terapêutico legítimo desses medicamentos.


Um comentário

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