Dois casos suspeitos de ebola no Brasil, um em São Paulo e outro no Rio de Janeiro, têm diagnóstico preliminar de meningite e malária, respectivamente, mas ainda não tiveram a possibilidade de infecção pelo vírus ebola descartada. Os pacientes permanecem isolados em hospitais de referência enquanto aguardam resultados de exames específicos, que devem ficar prontos apenas na segunda-feira (1º de junho).
O caso de São Paulo envolve um homem de 37 anos, natural da República Democrática do Congo, país que enfrenta atualmente um surto de ebola causado pela cepa Bundibugyo. O paciente retornou recentemente ao Brasil e começou a apresentar sintomas como febre alta, diarreia, desorientação e rápida piora clínica, sendo inicialmente atendido em uma Unidade de Pronto Atendimento. Por não ter estabilização, foi transferido para o Instituto de Infectologia Emílio Ribas, unidade de referência estadual para doenças infecciosas, onde chegou em estado grave, necessitando de intubação.
Exames realizados pelo Instituto Adolfo Lutz detectaram a bactéria Neisseria meningitidis, causadora de meningite meningocócica. Apesar do diagnóstico positivo para meningite, a suspeita de ebola não foi descartada, pois exames específicos para o vírus só devem ter resultado em até 48 horas. O paciente permanece isolado em quarto de isolamento e sob monitoramento constante da Secretaria de Estado da Saúde de São Paulo e do Ministério da Saúde.
No Rio de Janeiro, o caso suspeito envolve um viajante belga que esteve em Uganda, outro país com registros confirmados de ebola no surto atual. O homem apresentou sintomas virais como tosse, calafrios e diarreia, mas não relatou febre ou dor de cabeça intensa. Ele foi diagnosticado com malária após exame realizado no Instituto Nacional de Infectologia Evandro Chagas, da Fiocruz, mas, por precaução, segue isolado até que o teste específico para ebola seja divulgado. Pessoas que tiveram contato com o paciente estão sendo monitoradas como medida preventiva.
A suspeita de ebola permanece porque ambos os pacientes estiveram em países com surto ativo da doença, apresentaram sintomas compatíveis com ebola em fase aguda e os exames específicos para o vírus ainda não foram concluídos. Além disso, meningite e malária podem coexistir com ebola ou mascarar sintomas iniciais.
O surto atual de ebola na República Democrática do Congo e em Uganda é causado pela cepa Bundibugyo. Segundo a Organização Mundial da Saúde, há 134 casos confirmados e 18 mortes confirmadas, com taxa de mortalidade de 13 por cento. Há ainda 906 casos e 223 mortes em investigação. Esse número de mortalidade está abaixo da média histórica da doença.
As autoridades de saúde brasileiras avaliam o risco de introdução do ebola no Brasil como muito baixo. Não há registro de transmissão local do vírus na América do Sul, não existem voos diretos entre a região afetada na África e a América do Sul, e o vírus exige contato direto com sangue, secreções ou fluidos corporais de pessoas sintomáticas para transmissão. Pessoas assintomáticas não transmitem o vírus.
O Ministério da Saúde ativou o Plano de Contingência para Emergência em Saúde Pública com Vírus Ebola, que inclui intensificação da vigilância de viajantes vindos de países com surto, isolamento imediato de casos suspeitos, monitoramento de contatos próximos e notificação imediata à vigilância epidemiológica.
O período de incubação do ebola varia de 2 a 21 dias. Os sintomas incluem febre alta, dor de cabeça intensa, dores musculares, fadiga, náuseas, vômitos, diarreia e dor abdominal. Em quadros graves, a doença pode evoluir para manifestações hemorrágicas, choque e falência múltipla de órgãos.
O itinerário exato da viagem do paciente de São Paulo dentro da República Democrática do Congo não foi possível confirmar, pois ele chegou sedado. A data exata da viagem de ambos os pacientes também não foi divulgada.
Caso os exames confirmem ebola, seriam os primeiros registros da doença na América do Sul desde o início do surto atual e os primeiros casos de ebola no Brasil. O Ministério da Saúde recomenda que viajantes que voltaram de países com surto de ebola e apresentem sintomas procurem imediatamente unidades de saúde e informem o histórico de viagem. Pessoas em contato com casos suspeitos devem ser monitoradas diariamente por 21 dias.







