Mensagens extraídas pela Polícia Federal do celular de Daniel Vorcaro mostram que a advogada Viviane Barci de Moraes, mulher do ministro Alexandre de Moraes do Supremo Tribunal Federal (STF), enviou diretamente ao banqueiro a minuta de um contrato de até R$ 129 milhões com o escritório Barci de Moraes.
O acordo, firmado com o Banco Master, previa pagamentos mensais de R$ 3,6 milhões ao longo de três anos e incluía atuação jurídica perante órgãos como Banco Central, Receita Federal e Congresso Nacional.
As mensagens indicam que o envio da minuta ocorreu em 17 de janeiro de 2024, quando Viviane teria escrito a Vorcaro: “Bom dia! Segue a minuta do contrato. Abraço.” Cinco dias depois, o banqueiro teria respondido perguntando como deveria proceder para a assinatura. A revelação adiciona pressão à crise envolvendo o Banco Master e amplia o desgaste político em torno do ministro do Supremo.
O caso ganhou força porque não se limita ao valor do contrato. Os documentos e mensagens divulgados apontam para uma relação direta entre o banqueiro e a chefe do escritório ligado à família do ministro, o que passou a levantar questionamentos sobre a natureza dos serviços prestados e sobre a amplitude da interlocução entre as partes.
A cronologia também pesa. Em novembro de 2025, a Polícia Federal apreendeu o celular de Vorcaro no âmbito da Operação Compliance Zero. Em dezembro de 2025, o contrato de R$ 129 milhões foi revelado pela imprensa.
A revelação amplia a dimensão política e institucional do caso. Além da crise financeira do Banco Master, o episódio passou a ser tratado também como um problema de reputação, transparência e eventual conflito de interesse, com forte repercussão em Brasília e no meio jurídico.






