O Ministério Público de São Paulo deflagrou, na manhã desta terça-feira (21), uma operação para desarticular uma rede suspeita de lavar dinheiro para integrantes do Primeiro Comando da Capital (PCC). São cumpridos com apoio do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), 18 mandados de prisão preventiva e 25 de busca e apreensão.
Segundo as investigações, o grupo funcionava como um “banco paralelo”, movimentando recursos por meio de empresas de fachada e operadores financeiros usados para ocultar a origem ilícita do dinheiro.
Também foi determinado o bloqueio de até R$ 10 milhões em contas bancárias, empresas e bens ligados aos suspeitos.
De acordo com o Ministério Público, os operadores recebiam grandes quantias em dinheiro vivo e devolviam os valores ao sistema financeiro por meio de transferências eletrônicas feitas em nome de pessoas jurídicas criadas para simular legalidade. A apuração indica ainda que a estrutura era usada para permitir a compra de bens sem que o nome dos chefes da facção aparecesse nas negociações.

Entre os principais beneficiários da rede, segundo a investigação, está Leonardo Monteiro Moja, conhecido como Léo do Moinho, apontado como uma das lideranças do PCC em São Paulo. O MP também afirma que a estrutura atendia interesses da organização em negociações particulares, inclusive em disputas envolvendo imóveis de alto padrão no litoral paulista.
A operação ocorre em meio ao avanço das apurações sobre os mecanismos financeiros usados pelo PCC para lavar dinheiro e ocultar patrimônio, com uso recorrente de empresas de fachada, intermediários e movimentações pulverizadas.
A investigação aponta que o grupo de Léo do Moja interveio em favor do empresário Cléber Azevedo dos Santos, consolidando a relação de prestação de serviços entre o empresário e o braço financeiro do PCC.
Segundo os promotores, a apuração avançou rapidamente porque um dos participantes do chamado “tribunal do crime”, julgamentos internos da facção, gravou áudios de até uma hora nos quais os membros da facção apresentam histórico prisional, conexões internas e regras de conduta da facção.




