Síria condena homenageado por Lula, Assad, à morte por crimes contra a humanidade

Irmão e primo de ditador deposto também foram condenados à morte. Assad e caçula Maher, no entanto, fugiram para a Rússia antes de seu regime cair, em dezembro de 2024

Um tribunal da Síria condenou, nesta terça-feira (11), o ex-ditador deposto Bashar al-Assad e seu irmão mais novo à pena de morte por crimes contra a humanidade e crimes de guerra cometidos durante os 14 anos da guerra civil no país, que deixou cerca de 500 mil mortos.

Bashar al-Assad foi condecorado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) quando era ditador sanguinário da Síria. Lula deu a ele Comenda do Cruzeiro do Sul que é a mais alta distinção do país a cidadãos estrangeiros em 2010.

Bashar e Maher al-Assad não estavam presentes no julgamento, e ainda não se sabe se a pena de morte contra Assad e seus familiares será cumprida. O ex-ditador e seu irmão fugiram para a Rússia enquanto insurgentes entravam na capital Damasco, em dezembro de 2024, em uma investida-relâmpago que derrubou o regime.

Assad foi ditador na Síria durante 24 anos, sendo que a segunda metade de seu regime foi marcada por uma guerra civil sangrenta. Em meio ao conflito, seu governo foi acusado de conduzir assassinatos, prisões arbitrárias e torturas.

Um dos primos maternos de Assad, chamado Atef Najib, também foi condenado à morte no mesmo processo por liderar uma repressão na província de Daraa, no sul do país, que contribuiu para a guerra civil.

Sob forte esquema de segurança, Najib permaneceu dentro de uma jaula, usando uniforme de presidiário, enquanto o juiz lia a sentença em um tribunal criminal em Damasco.

Atef Najib, primo de Bashar al-Assad e ex-chefe do Departamento de Segurança Política de Daraa, aparece em jaula durante julgamento no Palácio da Justiça, em Damasco, na Síria.

O novo presidente da Síria, Ahmed al-Sharaa, pediu a extradição de Assad ao presidente da Rússia, Vladimir Putin, durante um encontro bilateral em outubro de 2025. A reunião, contudo, não avançou para a extradição. A expectativa é de que Putin mantenha sua posição, porque o governo russo é aliado do ex-ditador e o apoia desde o período em que ele estava à frente do governo sírio.