Investigações que tiveram sigilo quebrado pelo ministro Flávio Dino incluem o financiamento via emendas parlamentares de empresas ligadas a uma organização criminosa
O ministro Flávio Dino, do STF (Supremo Tribunal Federal), retirou nesta sexta-feira (14) o sigilo sobre três decisões que envolvem investigações de casos de corrupção no Maranhão.
Os atos incluem o financiamento via emendas parlamentares de empresas ligadas a uma organização criminosa e detalhan uma rede criminosa no Maranhão envolvida em homicídio, corrupção, desvio de dinheiro público e uma tentativa de obstrução de justiça.
Segundo as investigações da Polícia Federal, o senador Weverton Rocha (PDT-MA), vice-líder do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) atuou junto ao ministro Humberto Martins, do STJ (Superior Tribunal dde Justiça), para atrapalhar a investigação da organização criminosa.
Segundo a PF, Weverton Rocha usou sua influência para retardar uma investigação no STJ que atingia a família Brandão, que é atualmente o eixo de poder no governo do Maranhão, liderado pelo governador Carlos Brandão (MDB).
Dados obtidos do celular do senador mostram proximidade entre ele e o ministro do STJ. A PF aponta que Weverton pedia diretamente ao ministro favores sobre processos específicos, citando até nomes de pessoas interessadas.
As comunicações identificadas no aparelho ocorreram entre janeiro de 2023 e outubro de 2025. Os contatos de Weverton foram com o ministro Humberto Martins, que ainda não é investigado no caso.
Dentre os episódios citados na investigação está uma ligação de cerca de cinco minutos entre os dois no dia 2 de junho de 2025. Na mesma data, o ministro ordenou a transferência de Gilbson Júnior a Brasília. Segundo a PF, essa foi a última movimentação relevante do processo, que ficou paralisado.
A suspeita é de que o senador foi pago pela Família Brandão para tentar interferir no caso investigado no STJ.
A PF relata ainda a existência de um agente da PF, Edvar Rodrigues, que vazava informações sigilosas para a família dos investigados e os pressionava a não colaborar com as autoridades.
A investigação diz ainda que o ex-deputado Raimundo Cutrim foi gravado orientando o pai de Gilbson Júnior a mentir e a inventar que a esposa do preso estava passando fome para justificar o recebimento de dinheiro. Ele também teria entregue R$ 160 mil em dinheiro vivo à família em nome de Marcus Brandão.




