Moraes usa Fachin como escudo e ataca Mendonça que investiga o escândalo dele mesmo com o Master

Por Victório Dell Pyrro

A atitude do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, de apresentar queixa-crime contra o colega André Mendonça não é apenas mais um capítulo da crise institucional em curso. É a tentativa desesperada de um magistrado flagrado em conversas criminosas com o banqueiro Daniel Vorcaro — o maior golpista financeiro no Brasil — de transformar a Corte em trincheira de defesa pessoal. E ele o faz acreditando que terá apoio de comparsas no STF. Toffoli por exemplo também faturou milhões do golpista Vorcaro no Resort Tayayá.

As mensagens recuperadas pela Polícia Federal não deixam margem para interpretações benévolas. Vorcaro, preso em novembro de 2025 na Operação Compliance Zero, perguntava a Moraes se deveria deixar o país antes da prisão, pedia que o ministro “sensibilizasse” autoridades da PF e da PGR, e agradecia com um “juntos em tudo”. Enquanto isso, o banco de Vorcaro firmava contrato de R$ 130 milhões com o escritório de advocacia da esposa de Moraes.

Diante de evidências tão graves, o que fez Moraes? Em vez de se afastar, pedir explicações ou ao menos aguardar a apuração, atacou. Usou o inquérito das fake news — instrumento criado para proteger a democracia contra milícias digitais — como arma contra Mendonça, o ministro que, com cautela e método, tem conduzido as investigações sobre o Banco Master e desmontado uma quadrilha que operava fraudes bilionárias no sistema financeiro.

A petição de 20 páginas encaminhada a Edson Fachin é um manual de inversão de papéis: o investigado vira acusador, o relator que cumpre o dever vira réu, e o sistema de Justiça é transformado em palco de retaliação.

Moraes acusa Mendonça de abuso de autoridade, improbidade e crime de responsabilidade, citando relatórios de inteligência da PF que ele mesmo encomendou no calor do momento. É o investigado mandando investigar quem o investiga.

Moraes ainda o acusa Mendonça de condução irregular das tratativas de eventual colaboração premiada de Daniel Vorcaro, direcionamento de determinados alvos para investigação (como o próprio Moraes e o senador Davi Alcolumbre), por “motivos pessoais e políticos”, inclusive com a indicação prévia de medidas cautelares a serem apresentadas pela Polícia Federal. Como se ele e Alcolumbre não fumassem charutos nas festas, casas e quem sabe até nas festinhas com prostitutas e uísque Macallan, desavergonhadamente.

Essa manobra não é apenas indecorosa. É um atentado contra a separação de funções dentro do próprio STF. Mendonça, como relator do caso Master, tem o dever de apurar as fraudes, os desvios e as conexões políticas do esquema. Moraes, como ministro que aparece nas mensagens de Vorcaro, tem o dever ético de se afastar de qualquer deliberação relacionada ao caso e permitir que a Justiça siga seu curso.

Ao fazer o contrário, Moraes coloca em risco a credibilidade de toda a Corte. Se o STF não for capaz de investigar a si mesmo quando há indícios graves de conduta imprópria, que autoridade moral terá para julgar os demais? Se um ministro pode usar um inquérito como escudo contra apurações que o atingem, que garantia tem a sociedade de que o sistema funciona para todos, e não apenas para os poderosos?

A oposição já pediu impeachment. Deputados de esquerda, claro ligados ao criminoso Moraes por questões de afinidade com Lula, pediram a suspeição de Mendonça, vejam só!

A PGR, o PGR Paulo Gonet lança o ministério público na lama! Teve a capacidade de pedir a anulação da investigação. Cada lado puxa a brasa para sua sardinha. Mas o cerne da questão é mais simples e mais grave: há um ministro do STF em situação de conflito de interesses evidente, e sua reação foi atacar o colega que cumpre o papel que a Constituição lhe deu.

O plenário do STF tem agora uma decisão histórica pela frente. Pode autorizar a investigação de Mendonça e transformar o caso em um exemplo de puzza e transformar tudo em uma briga interna de egos. Ou pode reconhecer que Moraes, no mínimo, deveria ter se afastado das deliberações sobre o caso Master e permitir que as apurações sigam sem interferência.

O Brasil não precisa de mais um capítulo de impunidade no topo do Judiciário. Precisa de um STF que investigue a si mesmo com a mesma rigorosidade que exige dos demais cidadãos. Se Moraes tem nada a temer, que aguarde o desfecho das investigações. Se tem algo a esconder, que responda como qualquer cidadão. O que não pode é usar a toga para blindar esquemas e atacar quem tenta desvendá-los.

O STF é a cara da foto da gargalhada conjunta dos que deveriam estar preocupados com a responsabilidade de suas funções, mas debocham do povo brasileiro. Até quando?