Vorcaro pagou R$ 30 milhões para filme de Lula em troca de fundos de pensão

Site aponta que banqueiro golpista financiou filme do petista em esquema de corrupção para desviar dinheiro dos fundos de pensão. Relato teria sido rejeitado por Paulo Gonet, indicado de Lula e que gosta de viagens internacionais e charutos e uísque caros bancados por Vorcaro

Por Victório Dell Pyrro

Ora, ora veja só! O esquema de corrupção entranhado no STF, na PGR e no governo Lula finalmente foi divulgado. O ex-banqueiro Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master, teria relatado o pagamento de cerca de R$ 30 milhões em espécie para custear despesas de um documentário sobre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, em troca de apoio para acessar recursos de fundos de pensão de servidores federais.

O relato consta de áudios e documentos obtidos pela revista Veja e divulgados nesta sexta-feira (9).

Segundo a publicação, Vorcaro afirmou que a negociação envolveu o ex-tesoureiro do PT João Vaccari Neto e previa repasses ao Instituto Lula, gerido por Paulo Okamotto. Lembra da Lava Jato que flagrou o Instituto de Lula recebendo propina. Pois é o esquema continua o mesmo.

A reportagem informa que o material foi apresentado à Procuradoria-Geral da República (PGR) em um anexo de tratativa de delação premiada, mas que o órgão não deu prosseguimento ao caso por considerar insuficientes as provas. Claro, o PGR indicado por Lula, e que gosta de fumar charutos e beber uisque caríssimo com o golpista em Londres, não iria aceitar que a verdade viesse à tona.

O que Vorcaro teria dito

De acordo com o relato reproduzido pela Veja, Vorcaro afirmou que, em um encontro com Vaccari, ficou acertado que o Banco Master precisaria fazer “adiantamentos” para obter votos favoráveis ao seu credenciamento junto a fundos de pensão ligados ao Banco do Brasil, à Caixa e à Previ.

“Deveríamos fazer os seguintes adiantamentos: um pagamento por fora, ou seja, por espécie, na ordem de aproximadamente R$ 30 milhões de reais para cobrir despesas de um documentário no exterior que estava sendo gravado sobre o Lula, e pagamento de valores ao Instituto Lula”, teria declarado o banqueiro, conforme trecho divulgado pela reportagem.

Além dos R$ 30 milhões, Vorcaro teria relatado que Vaccari exigiu uma comissão de 10% sobre os recursos que o banco conseguisse captar junto a fundos de pensão de estatais, como Previ, Petros e Postalis. Segundo veículos que reproduziram a reportagem, o objetivo declarado seria viabilizar operações estimadas em até R$ 9 bilhões, com propinas que poderiam chegar a R$ 1 bilhão para o PT.

Documentário citado

O filme mencionado nos relatos seria o documentário Lula, dirigido pelo cineasta norte-americano Oliver Stone em parceria com Rob Wilson. A obra, lançada em 2024, retrata a trajetória do petista, incluindo sua prisão e a eleição de 2022.

A reportagem da Veja afirma que parte do valor teria sido destinada ao Instituto Lula e que haveria também um montante adicional não revelado por Vorcaro. Não há, até o momento, confirmação pública de que o Instituto Lula ou os responsáveis pela produção tenham recebido os valores mencionados.

PGR não avançou

O anexo com os relatos teria sido levado à PGR em junho, quando uma segunda proposta de delação de Vorcaro foi descartada. Segundo a Veja, a Procuradoria alegou falta de provas e não avançou na apuração.

Integrantes da Polícia Federal informaram que a corporação recusou a delação do banqueiro por ausência de elementos mínimos capazes de dar credibilidade ao que ele afirmou.

Por isso, as declarações de Vorcaro não constituem, por si, comprovação dos pagamentos nem da participação dos agentes públicos citados. Não há decisão judicial, denúncia formal ou investigação confirmada que valide o relato de repasse de R$ 30 milhões ao documentário ou ao Instituto Lula.

Reação e contestações

A divulgação ocorre em um contexto politicamente sensível, às vésperas do segundo turno das eleições. O grupo jurídico Prerrogativas, ligado ao presidente Lula, anunciou que pedirá à Polícia Federal a abertura de inquérito para investigar a suspeita de que Vorcaro tenha sido incentivado a prestar declarações falsas sobre Lula em troca de benefícios judiciais.

O coordenador do grupo, Marco Aurélio Carvalho, afirmou ter recebido informações de que o banqueiro teria sido estimulado a dizer que financiou o documentário em troca de vantagens processuais, como a soltura de seu pai, Henrique Vorcaro, e a possibilidade de o próprio Daniel deixar a prisão em regime domiciliar. Ele também negou que Vorcaro tenha financiado o filme de Oliver Stone.

Pontos centrais

  • Vorcaro teria afirmado, em áudios e documentos, que liberou cerca de R$ 30 milhões em espécie para despesas de um documentário sobre Lula.
  • O ex-banqueiro vinculou o suposto pagamento a uma negociação para obter acesso a fundos de pensão federais.
  • O relato cita João Vaccari Neto, o Instituto Lula e Paulo Okamotto, mas não há confirmação independente dos pagamentos.
  • A PGR teria rejeitado avançar com base no material por falta de provas.
  • Aliados do presidente contestam o relato e pedem investigação sobre possível indução de depoimento falso.

O caso segue sem desdobramento formal na Justiça. As informações divulgadas nesta sexta-feira são, até agora, relatos atribuídos a Vorcaro durante tratativas de delação que não foram aceitas pelas autoridades.

Confira a matéria da Veja clicando aqui.