A governadora do Distrito Federal, Celina Leão (PP), esteve pessoalmente na noite deste sábado (10) no complexo de cooperativas de reciclagem atingido por um incêndio de grandes proporções na região entre a Cidade do Automóvel e a Estrutural. O fogo teve início em uma área de vegetação de reserva pertencente ao Exército Brasileiro e se alastrou até alcançar os galpões de armazenamento de materiais recicláveis.
Em diálogo gravado no local com lideranças dos catadores, a presidente da Centcoop Lúcia Fernandes relatou que a tragédia poderia ter sido evitada caso o Exército tivesse autorizado a abertura de aceiros preventivos no terreno federal que cerca o complexo. Segundo a representante, tanto a cooperativa quanto o Serviço de Limpeza Urbana (SLU) tentaram realizar a intervenção de proteção contra queimadas, mas a corporação federal negou a permissão e impediu as máquinas de atuar na faixa de isolamento.
Promessa de socorro e levantamento de perdas
Acompanhada pelo secretário do Meio Ambiente do DF, Rafael Mello, a governadora assegurou assistência financeira e material emergencial para garantir a continuidade das atividades e o sustento das famílias. Celina determinou que as equipes técnicas realizem uma vistoria minuciosa nas primeiras horas da manhã de domingo para contabilizar a destruição e desenhar um plano imediato de reconstrução.
Entre as perdas apontadas de forma preliminar pelos trabalhadores estão dez caçambas de metal da cooperativa Coopernort, avaliadas em R$ 26 mil cada, além de um caminhão da central de reciclagem com valor estimado em R$ 550 mil. O veículo, recém-adquirido e destinado à coleta seletiva urbana, era essencial para as rotas diárias de recolhimento no Distrito Federal.
Cobrança a ministério federal
Diante do relato de que o Exército barrou os aceiros nas imediações, Celina Leão afirmou que entrará em contato direto com a Esplanada dos Ministérios para cobrar providências e destravar a liberação do terreno da União. A governadora destacou que a recusa do órgão federal em permitir medidas básicas de contenção criou uma situação de risco previsível, expondo os galpões ao avanço do fogo durante o período de estiagem no cerrado.
O Corpo de Bombeiros Militar do Distrito Federal (CBMDF) mobilizou 12 viaturas e dezenas de militares para conter as chamas e resfriar os focos em meio ao plástico e papelão prensados. As equipes permaneceram em monitoramento contínuo durante a madrugada para evitar novos focos de reignição na área.




