Com 1.300 focos, incendios no Amazonas sobem 271% nos últimos 10 dias em relação a 2025

O estado do Amazonas contabilizou 1.380 focos de incêndio nos primeiros dez dias de outubro, número que representa um aumento de 271% na comparação com o mesmo período do ano anterior. O levantamento do Painel do Fogo, mantido pelo Centro Gestor e Operacional do Sistema de Proteção da Amazônia (Censipam), aponta que quase 86% das ocorrências se concentram em terras públicas.

Do total registrado até 10 de outubro, 1.186 focos foram detectados em áreas públicas federais e estaduais, incluindo unidades de conservação e terras indígenas. Outros 93 registros ocorreram em propriedades privadas e 101 em locais cuja situação fundiária ainda não foi formalmente definida.

Predomínio em terras públicas

A concentração expressiva em glebas públicas e unidades de preservação repete o padrão verificado ao longo da temporada de estiagem no território fluminense e amazônico. Especialistas apontam que a pressão do desmatamento ilegal e a grilagem de terras impulsionam o uso do fogo para limpeza e consolidação de ocupações irregulares, sobretudo em municípios do sul do estado, como Lábrea, Boca do Acre e Novo Aripuanã.

Nas propriedades privadas, o volume reduzido de focos decorre, em parte, das medidas de restrição ao uso do fogo determinadas por decretos estaduais em vigor durante o período crítico de seca.

Fumaça encobre Manaus e agrava estiagem

O avanço das queimadas coincide com a continuidade da estiagem severa na bacia hidrográfica do Amazonas, que mantém rios em níveis baixos e resseca a vegetação nativa. As condições climáticas de baixa umidade e vento forte aceleram a propagação das chamas em áreas de mata degradada.

A intensificação dos focos no interior e no entorno da região metropolitana voltou a espalhar densas camadas de fumaça sobre a capital, Manaus, comprometendo os índices de qualidade do ar e elevando a procura por atendimento médico em unidades básicas de saúde para sintomas respiratórios.

Mobilização de forças federais e estaduais

Para conter o avanço do fogo nas áreas públicas prioritárias, o governo federal e a administração estadual mantêm brigadas de campo e aeronaves de combate atuando em conjunto com o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) e o Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio).

O monitoramento segue centralizado pelo Painel do Fogo, que cruza anomalias térmicas via sensoriamento remoto para direcionar operações emergenciais de fiscalização e combate direto às frentes ativas.