Rebeca Andrade é tricampeã mundial no salto e chega à 10ª medalha em Mundiais

Rebeca Andrade conquistou neste sábado (24) o ouro na final do salto sobre a mesa do Mundial de ginástica artística, em Roterdã, na Holanda. Com dois saltos de alta precisão, a brasileira de 27 anos alcançou o tricampeonato mundial do aparelho e chegou à décima medalha na história dos Mundiais.

A média de 14,466 pontos colocou Rebeca à frente da americana Claire Pease, prata com 14,233, e de Skye Blakely, também dos Estados Unidos, bronze com 14,166. A sul-coreana Yeo Seojeong, sua principal rival e medalhista de bronze em Tóquio 2020, caiu no segundo salto e terminou em sétimo lugar.

Feito histórico

Rebeca tornou-se a segunda ginasta da história a ser tricampeã mundial no salto, repetindo o feito da chinesa Cheng Fei. Nem Simone Biles, maior medalhista da história da modalidade, conquistou três títulos mundiais nesse aparelho: a americana é bicampeã.

A brasileira também passou a ser a primeira atleta do país com três títulos mundiais na mesma prova. Até então, apenas Diego Hypolito, no solo, e a própria Rebeca, no salto, haviam conquistado dois títulos em uma mesma especialidade.

Com o ouro em Roterdã, Rebeca soma dez medalhas em Mundiais, sendo quatro de ouro. Além dos três títulos no salto, ela foi campeã do individual geral em 2022. Considerando apenas provas individuais, ela entrou no top 10 histórico do quadro de medalhas, empatada na nona posição com a soviética Yelena Shushunova.

Como foi a final

Rebeca abriu a disputa com um Yurchenko com dupla pirueta, que rendeu 14,400 pontos e repetiu a nota obtida na classificatória e na final por equipes. Ela cometeu apenas um pequeno passo na aterrissagem.

No segundo voo, apresentou o Lopez, com execução muito bem avaliada e nota de 14,133. Com a bonificação de 0,2, alcançou a média de 14,466 e assumiu a liderança de forma definitiva.

A brasileira optou por não apresentar o Cheng, seu salto de maior dificuldade. A estratégia foi suficiente: Claire Pease tentou o Cheng, mas errou a aterrissagem do segundo salto, saindo da área, e ficou com a prata.

Retorno planejado

O título marca o retorno de Rebeca ao pódio mundial após um ano sabático. Depois de conquistar quatro medalhas nos Jogos Olímpicos de Paris 2024, ela se afastou para recuperar o corpo e a mente antes de retomar a temporada com foco nos Jogos de Los Angeles 2028.

“Esse ouro mostra que tudo que a gente tem feito da melhor maneira possível está dando certo. Não fiz os saltos mais difíceis da minha carreira, mas isso foi suficiente para trazer o ouro. Tô bem feliz e orgulhosa”, declarou a ginasta.

Rebeca também falou sobre a rotina mental durante a competição: “Tento manter a tranquilidade. Já sou uma pessoa tranquila, então dentro da competição eu só fico respirando. Falo: ‘Você está pronta para fazer o que você veio fazer. Não se preocupa e faça o seu melhor’”, disse.

Simone Biles assiste de perto

O feito de Rebeca foi acompanhado por Simone Biles, convidada de honra do Mundial de Roterdã. A americana, que soma 30 medalhas em Mundiais e 11 em Olimpíadas, não compete desde Paris 2024 e não confirmou retorno à ginástica, embora não tenha descartado disputar Los Angeles 2028.

A presença de Biles na arquibancada deu ainda mais simbolismo à conquista: Rebeca alcançou um título que a própria americana, referência absoluta da ginástica mundial, nunca obteve no salto.

Próximo desafio do Brasil

O Brasil ainda tem chance de medalha no Mundial. Neste domingo (25), a partir das 9h (horário de Brasília), Flávia Saraiva disputa a final da trave.

A conquista de Rebeca devolve o país ao pódio individual de um Mundial após a ausência de medalhas na edição de 2025 e reforça sua posição como a maior nome da ginástica brasileira em todos os tempos.