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	<title>Arquivo de Doméstica - BSB REVISTA</title>
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	<title>Arquivo de Doméstica - BSB REVISTA</title>
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		<title>Doméstica resgatada de escravidão  em condomínio de luxo trabalhou desde os 7 anos sem salário</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Calango]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 07 Jul 2026 12:14:31 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Polícia]]></category>
		<category><![CDATA[Justiça]]></category>
		<category><![CDATA[Condomínio de luxo]]></category>
		<category><![CDATA[Doméstica]]></category>
		<category><![CDATA[Escravidão]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Uma mulher de 62 anos foi resgatada em condições análogas à escravidão em um imóvel dentro do condomínio Terras Alphaville – Residencial 2, no bairro [...]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p class="wp-block-paragraph">Uma mulher de 62 anos foi resgatada em condições análogas à escravidão em um imóvel dentro do condomínio Terras Alphaville – Residencial 2, no bairro Cidade Alpha, em Eusébio, na região metropolitana de Fortaleza. O resgate ocorreu em junho deste ano e foi divulgado na semana passada. Ela servia à mesma família desde os 7 anos de idade, sem salário mensal.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A identidade dos empregadores não foi divulgada. Eles firmaram um Termo de Ajuste de Conduta com o Ministério Público do Trabalho e assumiram obrigações destinadas à proteção social da trabalhadora, entre elas a regularização dos recolhimentos previdenciários, o pagamento de R$ 50 mil em verbas rescisórias e a aquisição de um imóvel residencial em favor dela.</p>



<h2 class="wp-block-heading">Exploração prolongada</h2>



<p class="wp-block-paragraph">Segundo a Auditoria-Fiscal do Trabalho, a trabalhadora chegou à residência da família em 1971, quando tinha 7 anos, e atravessou três gerações do mesmo núcleo familiar, sempre sem interrupção das atividades laborais. Os auditores concluíram que ela permaneceu por mais de 50 anos submetida a uma relação marcada por ausência de remuneração, dependência econômica, privação de oportunidades educacionais e permanência contínua no mesmo ambiente desde a infância.</p>



<figure class="wp-block-image size-full"><img fetchpriority="high" decoding="async" width="600" height="338" src="https://bsbrevista.com.br/wp-content/uploads/2026/07/17834263279484113814817889292241.jpg" alt="" class="wp-image-38919"/><figcaption class="wp-element-caption">Condomínio de luxo onde doméstica era mantida em escravidão </figcaption></figure>



<p class="wp-block-paragraph">No momento do resgate, ela estava na casa da bisneta da primeira empregadora. Era responsável pelos cuidados cotidianos de duas crianças, de 11 e 7 anos, pela preparação das refeições e por todas as atividades domésticas essenciais ao funcionamento da residência. Mesmo hipertensa e com episódios recorrentes de mal-estar em situações de estresse, seguia desempenhando normalmente as tarefas.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Quando chegou ao local, em 1971, a mulher ainda era uma criança e passou a executar atividades domésticas junto com a irmã, cuja idade não foi confirmada. A irmã não foi localizada pela fiscalização. Segundo a família, as duas foram criadas no ambiente doméstico e uma delas teria deixado o local ainda na adolescência, após desentendimento com os empregadores.</p>



<h2 class="wp-block-heading">Mudanças de casa</h2>



<p class="wp-block-paragraph">A trajetória da vítima passou por diferentes endereços da mesma família. Em 1982, ela foi levada para a casa da filha da antiga patroa, quando esta formou nova família. Ali, passou a responder pelas atividades domésticas e pela criação dos três filhos do casal.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Mais de 30 anos depois, em 2014, foi novamente transferida para outra residência do mesmo grupo familiar. Desde então, ficou responsável pelos afazeres da casa e pelo cuidado diário das crianças. A Secretaria de Inspeção do Trabalho concluiu que a trabalhadora passou toda a trajetória sem remuneração regular, sem autonomia financeira e sem oportunidades educacionais e patrimoniais.</p>



<h2 class="wp-block-heading">Bolsa Família e suspeita de fraude</h2>



<p class="wp-block-paragraph">A vítima estava inscrita no Cadastro Único e recebia Bolsa Família no valor de R$ 600 mensais. A fiscalização constatou que a empregadora fazia os saques e depois entregava os valores à trabalhadora.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A Auditoria-Fiscal do Trabalho também identificou possível fraude na obtenção do benefício. Segundo o órgão, a empregadora acompanhou a doméstica no cadastro e informou que ela era “unifamília”, ou seja, uma pessoa sozinha, sem familiares, e desempregada. Um relatório será enviado às autoridades competentes para apuração de eventual crime.</p>



<h2 class="wp-block-heading">Créditos e acordo</h2>



<p class="wp-block-paragraph">Durante a fiscalização, o empregador reconheceu a prestação de serviços sem formalização do vínculo empregatício e admitiu que a remuneração não era feita de forma regular.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A Auditoria-Fiscal do Trabalho estima que, considerando salários não pagos, férias, 13º salários, FGTS, verbas rescisórias e horas extras decorrentes da supressão sistemática dos descansos semanais, os créditos trabalhistas ultrapassem R$ 1,5 milhão.</p>



<p class="wp-block-paragraph">O Ministério Público do Trabalho firmou um Termo de Ajuste de Conduta com os empregadores. O acordo prevê:</p>



<ul class="wp-block-list">
<li>regularização dos recolhimentos previdenciários relativos ao período reconhecido;</li>



<li>pagamento de R$ 50 mil em verbas rescisórias, em dez parcelas mensais de R$ 5 mil;</li>



<li>aquisição de um imóvel residencial em favor da trabalhadora, no valor mínimo de R$ 150 mil, com mobiliário e eletrodomésticos essenciais;</li>



<li>custeio das contribuições previdenciárias até a obtenção da aposentadoria;</li>



<li>complementação financeira de até R$ 12 mil caso ela complete 64 anos sem acesso ao benefício previdenciário.</li>
</ul>



<p class="wp-block-paragraph">O TAC também estabelece que as obrigações assumidas não implicam quitação integral dos direitos da trabalhadora, permanecendo possível a cobrança judicial de créditos trabalhistas e indenizações eventualmente não satisfeitos.</p>



<h2 class="wp-block-heading">Acompanhamento após o resgate</h2>



<p class="wp-block-paragraph">Mesmo após a operação, a doméstica continua dentro da residência dos empregadores, mas recebe acompanhamento psicossocial para adaptação ao mundo externo. O caso segue em acompanhamento pelos órgãos responsáveis, enquanto a fiscalização e o Ministério Público tratam das medidas de reparação e proteção da vítima.</p>
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