Lira comprou mansão de R$ 10 milhões horas antes de deixar presidência da Câmara

O deputado Arthur Lira comprou uma mansão de R$ 10 milhões este ano, um dia antes de deixar a presidência da Câmara

Pouco antes de deixar a presidência da Câmara, o deputado federal Arthur Lira (PP) comprou este ano, uma mega mansão avaliada em R$ 10 milhões.

A nova casa de Lira, adquirida em 31 de janeiro, tem área total de 833 metros quadrados e fica no Lago Sul, bairro mais valorizado de Brasília.

Lira deixou de ser presidente da Casa no dia em que Hugo Motta foi eleito e tomou posse, no sábado, dia 1º de fevereiro.

Para selar o negócio, Arthur Lira pegou um financiamento de R$ 7 milhões no Banco de Brasília (BRB), o que indica que ele deu R$ 3 milhões de entrada. Simulações apontam que o deputado deverá arcar com parcelas de mais de R$ 100 mil por mês para honrar o compromisso financeiro.

Como deputado, Arthur Lira recebe salário líquido de R$ 35 mil, por conta dos descontos em seu vencimento bruto, de R$ 46 mil. Na última eleição que disputou, em 2022, ele declarou ter R$ 5,9 milhões em bens e valores, sendo duas casas, um apartamento, um terreno e fazendas em Alagoas. O parlamentar também mantém atividades no segmento de agropecuária e eventos.

O valor da nova mansão, portanto, representa quase o dobro dos bens e do dinheiro que Lira tinha três anos atrás. Já em 2018, antes de assumir a presidência da Câmara em 2021, o deputado declarou ter R$ 1,7 milhão.

Mansão de Lira em Brasília

Moderna por dentro, a nova residência de Lira tem dois andares e piscina. Três câmeras de segurança na entrada e o fio de arame farpado.

A casa fica numa Quadra Lago (QL), que, por ser muito próxima ao Lago Paranoá, costumam ser mais valorizadas que os imóveis na Quadra Interna (QI) do Lago Sul.

Lira comprou a casa do empresário Leonardo Nogueira Valverde de Morais. Valverde, por sua vez, havia adquirido o imóvel por R$ 3,6 milhões em 2011.

Mesmo após deixar a presidência da Câmara, Arthur Lira se mantém como um parlamentar influente. Recentemente, assumiu a relatoria do projeto que prevê o aumento de isenções no Imposto de Renda.

Para as eleições de 2026, Lira planeja disputar o Senado Federal por Alagoas. Cada estado terá direito a duas vagas na Casa.

Arthur Lira

Em 2023, o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Gilmar Mendes arquivou um inquérito contra o presidente da Câmara dos Deputados, Arthur Lira (PP-AL), na investigação sobre a suspeita de desvios em contratos de kits de robótica. Em agosto daquele ano, o magistrado já havia determinado a anulação de todas as provas que supostamente envolviam o deputado no caso.

O inquérito conduzido pela PF apura indícios de superfaturamento e lavagem de dinheiro com recursos do Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE) destinados a 43 municípios de Alagoas na aquisição de kits de robóticas para escolas públicas. Os investigadores descobriram que a fornecedora do equipamento chegou a cobrar de uma prefeitura R$ 14 mil por produto após comprá-lo por R$ 2,7 mil em São Paulo.

O kit robótica pago com emenda de Lira deu prejuízo de R$ 4,2 milhões, segundo aponta a Controladoria-Geral da União (CGU).

O relatório da CGU foi utilizado pela PF em operação que mirou os desvios em contratos com empresa de aliado do presidente da Câmara.

Ao todo, na ocasião, R$ 4 milhões foram encontrados no cofre da empresa do empresário e policial civil Murilo Sergio Jucá Nogueira Junior, de 45 anos, aliado de Lira.

A fortuna ficou sem destino e deveriam, em tese, ser devolvidos ao proprietário. A medida foi determinada após o ministro Gilmar Mendes anular a operação e ordenar a destruição de todas as provas produzidas pela PF no caso conhecido como “kits robótica”.

Lira também foi suspeito de envolvimento em desvio de dinheiro da Assembleia Legislativa de Alagoas, entre 2001 e 2007.

Arthur Lira segundo a Procuradora Raquel Dodge, teria um esquema de fraude que se dava a partir da apropriação de parte dos salários de funcionários e também da inclusão de falsos funcionários na folha de pagamento. Eles repassavam o dinheiro destinado ao pagamento de salários aos deputados ou a pessoas indicadas pelos parlamentares. Segundo a denúncia, de 2001 a 2007, Arthur Lira movimentou em sua conta mais de R$ 9,5 milhões.

Os documentos apontam que, durante o cumprimento dos mandados, apreendeu-se em uma das residências de Arthur Lira uma planilha denominada de “cheques em aberto a vencer” no total de mais de R$ 1,3 milhão. Documentos indicam que o desvio de recurso em questão resultava em uma renda mensal de R$ 500 mil ao parlamentar.


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