Temporais deixam 14 mortos e 440 desabrigados em Juiz de Fora

Temporais históricos deixaram ao menos 14 mortos e 440 pessoas desabrigadas em Juiz de Fora, na Zona da Mata mineira, levando a prefeitura a decretar estado de calamidade pública e a suspender as aulas em toda a rede municipal de ensino.

O município enfrenta o fevereiro mais chuvoso de sua história, com volume de precipitação muito acima da média e sucessivos episódios de alagamentos, deslizamentos e soterramentos em diversos bairros.

Desabamento em Juiz de Fora deixou desabrigados

Segundo a Prefeitura de Juiz de Fora, 14 óbitos foram confirmados em decorrência das fortes chuvas que atingiram a cidade entre a noite de segunda-feira (23) e a madrugada desta terça-feira (24). Ao menos 20 ocorrências de soterramento foram registradas pela Defesa Civil e pelo Corpo de Bombeiros, com equipes mobilizadas em diferentes regiões do município.

Levantamento oficial aponta que as mortes se concentraram em áreas vulneráveis a deslizamentos de encosta e desabamentos de imóveis. Os óbitos foram registrados em sete localidades: quatro na Rua Natalino José de Paula, no Bairro JK; quatro na Rua Orville Derby Dutra, no Bairro Santa Rita; dois na Rua João Luís Alves, na Vila Ideal; um na Rua José Francisco Garcia, no Bairro Lourdes; um na Rua Eurico Viana, na Vila Alpina; um na Estrada Athos Branco da Rosa, no Bairro São Benedito; e um na Rua Jacinto Marcelino, na Vila Olavo Costa.

A administração municipal informa que cerca de 440 pessoas estão desabrigadas, acolhidas em abrigos públicos e equipamentos comunitários, onde recebem alimentação, acomodação provisória e assistência social. Ao todo, mais de 250 ocorrências relacionadas às chuvas foram registradas, incluindo alagamentos, deslizamentos de terra, quedas de muros e interdições de vias.

Diante da gravidade do cenário, a prefeita Margarida Salomão decretou estado de calamidade pública na madrugada de terça-feira, estabelecendo medidas excepcionais por até 180 dias. O decreto autoriza a agilização de contratações, o remanejamento de recursos e a adoção de ações emergenciais para resposta ao desastre e reconstrução da infraestrutura danificada.

Queda de um barranco atinge prédio e casas em Juiz de Fora — Foto: Redes sociais

Como medida preventiva, a prefeitura determinou a suspensão das aulas em todas as escolas da rede municipal. A decisão considera o risco no deslocamento de estudantes e profissionais da educação, a existência de vias alagadas ou com deslizamentos e a necessidade de direcionar equipes e equipamentos para serviços de limpeza, desobstrução e reparos em áreas críticas.

Dados oficiais indicam que Juiz de Fora registra o fevereiro mais chuvoso desde o início das medições. O município acumulou cerca de 584 milímetros de chuva apenas neste mês, volume que supera significativamente a média histórica e corresponde ao dobro do esperado para o período.

O temporal mais recente começou no fim da tarde de segunda-feira e, em alguns pontos da cidade, a precipitação ultrapassou 100 milímetros em apenas seis horas. O volume elevado provocou o transbordamento do Rio Paraibuna em trechos da Avenida Brasil e do Bairro Industrial, além do extravasamento de córregos como o Humaitá, gerando alagamentos extensos e bloqueios em corredores de tráfego, como o acesso ao Mergulhão, na região central.

Temporais atingem Juiz de Fora – Foto – Redes sociais

As chuvas também causaram deslizamentos de encostas, desabamentos de casas e prédios e deixaram moradores ilhados em diferentes bairros. Equipes do Corpo de Bombeiros Militar de Minas Gerais reforçaram o efetivo, com envio de mais de 20 militares especializados em salvamento, além de cães farejadores, para atuar na localização de vítimas e retirada de moradores de áreas de risco. A Defesa Civil municipal atua em conjunto com a Defesa Civil Estadual na vistoria de imóveis, interdição de áreas ameaçadas e organização dos abrigos.

Em nota, a prefeitura manifestou pesar pelas vítimas e afirmou que as equipes seguem mobilizadas no atendimento às ocorrências, no suporte às famílias atingidas e na busca por desaparecidos. O município reforçou orientações para que moradores de encostas ou áreas sujeitas a deslizamentos procurem imediatamente locais seguros ao perceberem sinais como rachaduras em paredes, portas e janelas emperradas ou inclinação de postes e árvores.

Com o solo saturado após dias de chuva intensa e contínua, o risco de novos deslizamentos e desabamentos permanece elevado, inclusive em áreas onde a precipitação já perdeu força. Órgãos de meteorologia mantêm alerta para temporais na Zona da Mata ao longo da semana, com previsão de acumulados elevados em curto espaço de tempo e possibilidade de ventos fortes.

As autoridades orientam que a população evite transitar em áreas alagadas, não tente atravessar ruas inundadas a pé ou de veículo e acione imediatamente os canais de emergência em caso de risco iminente. Paralelamente, o poder público discute medidas de médio e longo prazo para mitigação de desastres, como a revisão de áreas de ocupação irregular, a execução de obras de contenção de encostas e o reforço do sistema de drenagem urbana, diante de um cenário de eventos climáticos extremos cada vez mais frequentes.


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