Contraventor foi capturado em Cabo Frio
Depois de mais de 20 anos figurando entre os nomes mais procurados da contravenção no estado, o bicheiro Adilson Oliveira Coutinho Filho, conhecido como Adilsinho ou Al Dilsinho, foi preso nesta quinta-feira (26) em Cabo Frio, na Região dos Lagos do Rio de Janeiro.
A captura encerra uma longa trajetória de investigações, fugas e operações policiais que miraram um dos principais operadores do jogo do bicho e da máfia dos cigarros no estado.
Segundo informações da força-tarefa responsável pela ação, Adilsinho foi localizado em um imóvel residencial e detido sem resistência. Ele foi levado de helicóptero para a capital fluminense, onde ficará à disposição da Justiça. Também foi preso um policial militar apontado como integrante de sua segurança pessoal.
Duas décadas no radar das autoridades
Apontado como herdeiro e articulador de uma nova cúpula do jogo do bicho, Adilsinho assumiu o controle de pontos estratégicos na Zona Sul, Centro e Zona Norte do Rio ao longo dos anos 2000. Com o avanço das investigações sobre caça-níqueis e exploração de jogos ilegais, seu nome passou a aparecer com frequência em relatórios da Polícia Federal e do Ministério Público.
Em 2009, ele foi alvo da chamada Operação Furacão, que investigou a manipulação de máquinas caça-níqueis e o pagamento de propina a agentes públicos. Já em 2011, durante a Operação Dedo de Deus, policiais apreenderam cerca de R$ 4,6 milhões em espécie em um apartamento na Barra da Tijuca atribuído ao grupo. Ao longo dos anos seguintes, o bicheiro alternou períodos de liberdade e prisões, até voltar à condição de foragido.
A partir de 2023, novas decisões judiciais decretaram sua prisão preventiva. Desde então, ele era considerado oficialmente foragido, apesar de suspeitas de que continuava atuando nos bastidores do esquema.
Máfia dos cigarros e expansão do império
Além do jogo do bicho, Adilsinho é apontado como um dos principais articuladores da máfia dos cigarros no Rio de Janeiro. Investigações federais indicam que o grupo controlava a produção e distribuição de cigarros contrabandeados ou falsificados em dezenas de municípios fluminenses, com estrutura logística própria e esquema de lavagem de dinheiro.
Em uma das frentes investigativas, a chamada Operação Libertatis, a Justiça Federal apura a existência de fábrica clandestina em Duque de Caxias, onde trabalhadores estrangeiros teriam sido submetidos a condições análogas à escravidão. O grupo também é investigado por utilizar empresas de fachada e plataformas digitais para ocultar recursos.
Durante a pandemia de Covid-19, mesmo sob investigação, Adilsinho teria promovido eventos luxuosos com centenas de convidados, reforçando a imagem de poder e influência no submundo da contravenção.
Acusações de homicídios e grupo de extermínio
O capítulo mais grave das acusações envolve homicídios ligados à disputa por território e controle do mercado ilegal de cigarros. A Polícia Civil e o Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro atribuem ao grupo ao menos 20 assassinatos ou tentativas de homicídio nos últimos anos.
Entre os casos citados nas investigações estão as mortes de rivais no jogo do bicho e de supostos integrantes do esquema que teriam descumprido ordens internas. Em 2022, um homem foi executado com tiros de fuzil em Campo Grande, na Zona Oeste, em crime que, segundo a polícia, teria sido motivado por desconfiança no transporte de cargas de cigarro. Outro homicídio investigado ocorreu na porta de um cemitério, em Inhaúma.
Relatórios apontam ainda a atuação de um suposto grupo de extermínio, cujos integrantes utilizariam até uniformes falsos da Polícia Militar para realizar sequestros e execuções. Parte dessas informações ainda está sob apuração e integra diferentes inquéritos em andamento.
Mandados em aberto e próximos passos
Contra Adilsinho havia ao menos cinco mandados de prisão expedidos por diferentes varas, incluindo decisões da Justiça Estadual e da Justiça Federal. Ele deverá responder por organização criminosa, homicídio qualificado, contrabando, lavagem de dinheiro e exploração de jogo ilegal, entre outros crimes.
A defesa do bicheiro ainda não se manifestou publicamente sobre a prisão desta quinta-feira. Em ocasiões anteriores, advogados negaram envolvimento do cliente em homicídios e afirmaram que ele é vítima de perseguição.
A prisão é considerada pelas autoridades como um dos principais golpes recentes contra a estrutura do jogo do bicho no estado. Investigadores avaliam que a captura pode provocar uma reconfiguração nas alianças e disputas internas da contravenção fluminense, historicamente marcada por violência e acordos de bastidores.
Com a transferência para unidade prisional de segurança reforçada, Adilsinho deverá passar por audiência de custódia e, na sequência, responder aos processos que se acumulam na Justiça. Após mais de duas décadas sendo apontado como peça-chave do crime organizado no Rio, ele finalmente enfrentará a fase mais decisiva de sua trajetória: a dos tribunais.



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