PF faz operação contra quadrilha que acessou dados de ministros do STF

Polícia Federal cumpre prisões e buscas em SP, TO e AL nesta quinta (5); organização criminosa acessava sistemas governamentais para roubar e vender informações sensíveis de magistrados, incluindo Alexandre de Moraes.

A Polícia Federal deflagrou nesta quinta-feira (5) a Operação Dataleaks para desmantelar uma organização criminosa especializada em invadir sistemas governamentais e privados, obtendo, adulterando e comercializando dados pessoais sensíveis – entre eles, informações de ministros do Supremo Tribunal Federal (STF).

A ação resulta de investigação iniciada após identificação de uma base de dados clandestina abastecida por acessos indevidos, que continha registros pessoais de magistrados da Corte.

Detalhes da operação e alvos

Agentes federais cumprem quatro mandados de busca e apreensão e cinco mandados de prisão temporária, todos expedidos pelo próprio STF, nos estados de São Paulo, Tocantins e Alagoas. Os investigados atuavam de forma organizada, explorando vulnerabilidades em plataformas oficiais para furtar dados como CPF, endereços, movimentações financeiras e familiares de autoridades. A PF aponta que o grupo respondia por crimes como organização criminosa, invasão de dispositivo informático, furto qualificado, corrupção de dados e lavagem de dinheiro, com penas que podem superar 20 anos de reclusão somadas.

A investigação ganhou fôlego com a detecção de acessos não autorizados a sistemas da Receita Federal e outras bases governamentais, semelhantes a episódios apurados em fevereiro (como vazamentos de dados fiscais de ministros). Desta vez, o foco é em uma rede que não só roubava, mas vendia as informações em mercados clandestinos na dark web e redes sociais, gerando lucros ilícitos estimados em milhões de reais.

Conexão com ministros do STF

Os dados vazados incluem informações pessoais de pelo menos um ministro – Alexandre de Moraes é citado em apurações preliminares como vítima de acessos ilegais. A quadrilha mirava autoridades de alto escalão para fins de extorsão, chantagem ou revenda a terceiros, configurando ameaça à segurança institucional do Judiciário. Autoridades destacam que, embora não haja indícios de uso político imediato, o vazamento expõe vulnerabilidades em sistemas federais, ecoando ataques hackers passados contra o STF em 2021 e 2025.

Essa não é a primeira ação da PF contra vazamentos ligados ao Supremo. Em fevereiro de 2026, operações semelhantes investigaram servidores da Receita por quebra ilegal de sigilo de ministros e parentes, com buscas em SP, RJ e BA. Hoje, a Dataleaks avança em ramificação cibernética, com perícias em dispositivos apreendidos para mapear toda a cadeia criminosa.

Impactos e próximos passos

A operação reforça preocupações com cibersegurança no Brasil, onde quadrilhas exploram brechas em órgãos públicos para lucrar com dados sensíveis. A PF bloqueou contas bancárias dos suspeitos e monitora transações para quantificar prejuízos. Prisões temporárias visam interrogatórios urgentes, com possibilidade de indiciamentos e delações para desbaratar fornecedores de acessos iniciais.

O STF, via assessoria, informou que colabora integralmente e que Moraes, relator de inquéritos sobre fake news e atos antidemocráticos, determinou as medidas para proteger a Corte. Especialistas em cibersegurança alertam para a necessidade de investimentos em criptografia e auditorias, enquanto o caso reacende debates sobre responsabilização de entes públicos por falhas de proteção de dados.

Linha do tempo de vazamentos ligados ao STF

DataOperação/EventoDetalhes principais
Fev/2026Buscas em servidores da ReceitaVazamento fiscal/bancário de ministros e parentes; 4 mandados em SP/RJ/BA.
Fev/2026Nova diligência autorizada por MoraesBusca no RJ contra investigado por dados de familiares de STF.
5/3/2026Operação DataleaksPrisões e buscas contra quadrilha de hackers; foco em invasão a bases gov.

A PF divulga atualizações em coletiva marcada para o fim da tarde. Fique ligado no BSB Revista para novidades sobre essa ameaça cibernética ao alto escalão do Judiciário.


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