Políticos suspeitos articulam com STF para tentar soltar Daniel Vorcaro e evitar delação

Políticos encrencados no escândalo bilionário do banco Master monitoram cenários na Segunda Turma e calculam que eventual empate favorece o banqueiro golpista

Por Victório Dell Pyrro

Nos bastidores mais fétidos de Brasília, o medo de cadeia e de delação premiada já fala mais alto do que qualquer discurso sobre “Estado de Direito” ou “risco institucional”. Segundo o blog da Andreia Sadi do G1, políticos do “centrão” passaram a se mobilizar de forma intensa para tentar garantir a libertação do banqueiro Daniel Vorcaro na Segunda Turma do Supremo Tribunal Federal, não por preocupação com garantias constitucionais, mas por puro pavor de que o dono do Banco Master abra a boca e conte o que sabe sobre o rastro de dinheiro, favores e proteção que irrigou a elite política nos últimos anos. Mas sabemos todos que não são só políticos do ” centrão apenas. Esquerdista, ela joga no colo do Centrão, mas sabemos que há senadores enrolados até o pescoço e da extrema esquerda ( veja bem que aqui, não culpo ou julgo ninguém- Os nomes a seguir são apenas relacionados ao caso, e não citados como articuladores com o STF) como Jaques Wagner do PT da Bahia. Wagner conduziu negociação com Guga Lima, que depois levou o CredCesta ao banco de Vorcaro. Ele negou sugerir Guido Mantega ou Ricardo Lewandowski para cargos no Master. Mas mensagens de Vorcaro citam Wagner como articulador para Mantega, mas PF/STF não imputaram atos concretos, veja só. Lewandowski, ganhava dinheiro do Master enquanto era ministro da Justiça, comandando a PF de Lula e pirulitou do governo assim que o escândalo explodiu. Ele participou de ao menos uma reunião de Vorcaro com nada menos que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Vorcaro esteve 4 vezes no Palácio do Planalto que não disponibilizou pautas, assunto, imagem, nada sobre o marginal no mais alto poder, apenas negando favorecimentos. O mesmo foi feito por Guido Mantega, ex-ministro da fazenda em governos do PT, que também era consultor bem remunerado do grupo estelionatario.

Há também senadores do Centrão, como Ciro Nogueira, que apresentou emenda para beneficiar Vorcaro, segundo a PF descobriu no celular do marginal. Vorcaro se reunia festivamente com Alcolumbre do União e atual presidente do Senado, assim como com Hugo Motta, presidente da Câmara.

Na direita temos João Carlos Bacelar (PL-BA): Elo inicial do caso no STF, citado em negócio imobiliário Trancoso que acabou não se concretizando, mas levou o caso ao STF.

A lógica é simples e indecente. Quanto mais tempo Vorcaro permanecer preso, maior a chance de ele optar por uma delação premiada capaz de expor a extensão das relações políticas e financeiras que alimentaram o sistema. Essa não é uma preocupação moral, é um cálculo de autopreservação. Interlocutores políticos passaram a mapear, um a um, os votos dentro da Segunda Turma do STF e a operar nos bastidores para tentar montar uma maioria a favor da soltura do banqueiro, diz Andreia Sadi. Não se discute a gravidade das acusações reveladas pela Polícia Federal, nem o fato de o próprio STF reconhecer o risco à ordem pública e às investigações. O foco é apenas um: como virar voto, como garantir maioria, como salvar o “amigo” antes que ele vire delator.

A engenharia política nessa operação é tão cínica quanto transparente. Um dos cenários foi desenhado na noite de quarta-feira, quando o ministro Dias Toffoli se declarou suspeito para participar do julgamento sobre a prisão de Vorcaro. A partir daí, a conta do centrão ficou ainda mais explícita. Com Toffoli fora do jogo, a Segunda Turma passa a julgar o caso com quatro ministros. Em caso de empate, vale a regra criminal: o réu é beneficiado. Ou seja, para esse consórcio de políticos criminosos, não é mais necessário construir três votos sólidos. Basta provocar um empate e se esconder atrás da lei do “empate pró-réu” para lavar as mãos e empurrar a responsabilidade para o regimento.

Antes da suspeição de Toffoli, a meta era mais arrojada: arrancar três votos entre cinco ministros para derrubar a decisão de André Mendonça, relator do caso Master e responsável por decretar a prisão preventiva de Vorcaro. Como Mendonça já se posicionou de forma cristalina a favor da prisão, a esperança desse bloco político passou a se concentrar nos demais integrantes da turma. A equação agora se resume a pressionar e cercar Luiz Fux, Gilmar Mendes e Kassio Nunes Marques, enquanto se usa a retirada de Toffoli como peça-chave para transformar um julgamento criminal gravíssimo em jogo de xadrez de conveniência. Todos sabemos os nomes dos ministros que fazem o jogo sujo criminoso, mas vou evitar nomear para não ser preso. O STF tem o costume de mandar prender seus críticos.

Vorcaro não é um banqueiro golpista qualquer. Segundo as investigações da PF e decisões de Mendonça, ele comandava uma estrutura de “milícia privada”, batizada de “A Turma”, usada para monitorar ilegalmente, constranger e ameaçar adversários e autoridades. O inquérito aponta uso indevido de sistemas da Polícia Federal e do Ministério Público, operações financeiras fraudulentas e um casamento tóxico entre dinheiro e poder que alcança tribunais superiores, gabinetes em Brasília e negócios privados. Os políticos criminosos contam com conquistar o apoio de Alexandre de Moraes dentro da armação no STF, já que ele tinha um singelo contrato de apenas R$129 milhões na família com o marginal.

É esse caldeirão de informações que pode vir à tona em uma eventual colaboração premiada. Não por acaso, o “centrão” de Sadi, age como sindicato do medo, tentando desarmar a bomba antes que ela exploda no colo de dezenas de parlamentares e figuras do establishment.

No Supremo, a avaliação pública é de que o caso é grave e que ainda não há “termômetro” confiável sobre o resultado na Segunda Turma. Nos corredores, porém, todos sabem que a pressão é brutal. A própria trajetória do processo escancara o tamanho do constrangimento. Toffoli deixou a relatoria do caso Master após relatório da PF revelar menções ao seu nome em mensagens extraídas do celular de Vorcaro, envolvendo negócios de um resort ligado à sua família. O STF divulgou nota dizendo que não havia impedimento jurídico e chancelando a “plena validade” dos atos do ministro. Ainda assim, sob pressão, ele recuou e o caso foi parar nas mãos de André Mendonça, que passou a desmontar decisões anteriores e destravar a perícia. Aqui temos que elogiar Mendonça. Parabéns Ministro! Esse parece uma exceção no meio da lama. Força!

Agora, Toffoli volta à cena, não mais como relator, mas como peça central de um arranjo político-jurídico que pode produzir justamente o que o centrão deseja: um plenário encolhido a quatro votos, em que o empate salva o banqueiro. A lei foi desenhada para proteger o cidadão diante da dúvida em processo criminal. Em Brasília, políticos criminosos tentam sequestrar esse princípio para blindar um operador golpista financeiro que pode arrastar meio mundo com ele. A Segunda Turma deveria ser o espaço de contenção dessa captura. Se ceder à pressão e transformar o julgamento em operação de socorro a investigados, o STF, mais uma vez, deixará de ser vítima do sistema para se tornar sócio dele.


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