A missão Artemis II entrou para a história nesta quinta‑feira, 2 de abril de 2026, com a cápsula Orion saindo do chão às 19h24 (horário de Brasília), no Centro Espacial Kennedy, na Flórida, a bordo do foguete Space Launch System (SLS). A decolagem marcou o primeiro voo tripulado ao redor da Lua nesta era moderna, com a Orion levando quatro astronautas – Reid Wiseman, Victor Glover, Christina Koch e Jeremy Hansen – para uma missão de testes de sistemas de vida, comunicação, navegação e propulsão, sem qualquer intenção de pousar em solo lunar.

O ser humano não pisa na superfície da Lua há mais de 50 anos, desde a última missão tripulada do programa Apollo, em 1972. A primeira vez que isso aconteceu foi em julho de 1969, com a missão Apollo 11, quando Neil Armstrong se tornou o primeiro ser humano a pisar na Lua, seguido pouco depois por Buzz Aldrin.
A última vez que alguém caminhou na Lua foi em dezembro de 1972, com a Apollo 17, a mais ambiciosa de todas as missões de pouso, com Eugene Cernan como comandante, Harrison Schmitt como geólogo lunar e Ronald Evans no módulo de comando em órbita. Cernan foi o último ser humano a sair da superfície lunar, encerrando a era de visitas tripuladas ao satélite.
Desde então, ninguém mais pisou na Lua. A Artemis II, em órbita agora, é o primeiro voo tripulado rumo à Lua em mais de meio século, mas ainda sem intenção de pousar; a ideia concreta de voltar a pisar na superfície reside em missões posteriores, como a Artemis III ou IV, nas próximas décadas.
Como a Orion saiu da Terra e entrou em órbita
Às 19h24 (Brasília), o SLS, com seus quatro segmentos de propelente sólido e dois estágios de combustível líquido, gerou cerca de 8,8 milhões de newtons de empuxo, empurrando a Orion para fora da atmosfera em poucos minutos. O primeiro estágio se desacoplou em torno de 19h32 (Brasília), e o segundo estágio continuou a levar a cápsula, com a Orion entrando em órbita terrestre baixa (LEO), entre 180 e 200 km de altitude, com velocidade próxima de 28 mil km/h, por volta das 19h48 (Brasília). Veja o lançamento:
A partir desse momento, a Orion permaneceu e ainda permanece em órbita terrestre, completando duas ou três voltas completas ao redor da Terra, enquanto a tripulação verifica sistemas de vida, comunicação, navegação e propulsão de manobra. A manobra de injeção translunar (TLI) ainda não foi realizada: está programada para o início da manhã de 3 de abril de 2026 (Brasília), com a Orion posicionada em orientação correta e os propulsores principais acionados, projetando a cápsula em uma trajetória de 3 a 4 dias até a Lua. A partir de então, a Orion passará a ser guiada por uma combinação de gravidade terrestre e lunar, com a cabine mantendo a tripulação em ambiente controlado, com monitoramento contínuo de radiação, temperatura e estabilidade térmica.
O que está sendo feito hoje: 2 de abril de 2026
A partir de 2 de abril de 2026, a Orion está em fase de órbita terrestre baixa, com a tripulação realizando testes de sistemas de suporte vital, comunicação de longa distância, propulsão de manobra e orientação, com a NASA e a Força Aérea norte‑americana mantendo protocolos de resgate de emergência em prontidão, com navios, aeronaves e equipes de paraquedistas de prontidão, caso fosse necessária recuperação imediata em solo ou mar.
A manobra de injeção translunar (TLI) ainda não ocorreu: está prevista para o início da manhã de 3 de abril de 2026, em Brasília, com a Orion posicionada em orientação correta e os propulsores principais acionados, projetando a cápsula em uma trajetória de 3 a 4 dias até a Lua. A partir de então, a Orion passará a ser guiada por uma combinação de gravidade terrestre e lunar, com a cabine mantendo a tripulação em ambiente controlado, com monitoramento contínuo de radiação, temperatura e estabilidade térmica.
O que deve acontecer quando a Orion passar em torno da Lua
A previsão é que a Orion chegue à proximidade da Lua em torno de 7 de abril de 2026, com a cápsula entrando em órbita distante da Lua, passando a cerca de 10 mil quilômetros da superfície, sem pousar. A passagem em torno do satélite, prevista para 7 a 9 de abril, marcará a fase mais crítica do teste de navegação: a tripulação ajustará a orientação da Orion, testará a comunicação com a Terra e, em tese, com a futura Lunar Gateway, e registrará observações de superfície e experimentos de física, com especial atenção ao pólo Sul, área‑alvo para futuros pousos. A cápsula não vai ficar um mês na Lua: a permanência na órbita lunar será de alguns dias, apenas para testes de navegação e comunicação, antes da volta à Terra.
Ao longo desse trecho, a tripulação pretende:
- Verificar a capacidade de operar a cápsula em longa distância da Terra, com atrasos de 1,3 segundo na comunicação, simulando o cenário de futuras missões de longo prazo.
- Ajustar a orientação da Orion para a fase de retorno, garantindo que o escudo térmico fique em posição correta para a reentrada atmosférica.
- Realizar observações de superfície lunar, com foco em topografia, padrões de sombra, temperaturas extremas e potenciais locais de interesse para Artemis III e Artemis IV, sem qualquer intenção de pousar nesta missão.
- Testar sistemas de suporte vital, comunicação e energia em condições de maior exposição à radiação cósmica, com a equipe monitorando sinais vitais, sono e desempenho cognitivo durante a passagem em torno do satélite.
O que deve ocorrer no retorno da Orion e no resgate
A previsão é que a Orion entre na atmosfera terrestre em 10 de abril de 2026, com a reentrada projetada para a tarde em Brasília, entre 16h30 e 17h30, em um ponto acima do Oceano Pacífico. A cápsula, viajando a cerca de 40 mil km/h, enfrentará uma faixa de calor intensa, protegida pelo escudo térmico projetado para suportar temperaturas de até 2.760 graus Celsius.
Quando a velocidade cai a um nível seguro, a Orion abrirá seus três paraquedas principais, desacelerando a nave até um splashdown suave nas águas do Pacífico, próximo à costa da Califórnia, em torno de 18h (Brasília). A partir desse momento, a operação de resgate entra em ação: a Marinha dos EUA posiciona um navio de apoio anfíbio do tipo San Antonio‑class na região, com marinheiros se dirigindo à Orion flutuante, fixando a cápsula, içando‑a pela rampa traseira do navio e trazendo a tripulação para bordo, onde recebem primeiros cuidados médicos, hidratação e triagem de saúde, com especial atenção à readaptação à gravidade após vários dias em microgravidade.
Artemis III e Artemis IV: o que virá depois
A missão seguinte, Artemis III, está prevista para 13 de setembro de 2027, e, em vez de ir à superfície lunar, será um teste em órbita terrestre baixa, dedicado a integrar a Orion com os landers lunares comerciais (como o Starship HLS da SpaceX e o Blue Moon da Blue Origin) e a testar os trajes de uso extraveicular AxEMU. A Orion será lançada em SLS, com a mesma janela de manhã para início da tarde em Brasília, entrando em órbita em torno de 13h30 (Brasília), com a missão durando cerca de 10 dias, com foco em acoplamento, testes de transferência de tripulação e verificação de sistemas de vida.
A Artemis IV, marcada para 5 de maio de 2028, será a missão que levará humanos de volta à superfície da Lua, com a Orion levando quatro astronautas até a órbita da Lua e, de lá, dois deles descendo ao pólo Sul em um lander pré‑posicionado. A Orion entrará em órbita lunar em meados de maio de 2028, com a descida de equipa em superfície programada para a 2ª quinzena de maio, com permanência de 6 a 7 dias, com 2 ou 3 passeios extraveiculares, coleta de amostras, experimentos científicos e testes de infraestrutura de base. A missão não pretende deixar a tripulação na Lua por um mês: a permanência será de alguns dias, com foco em testes de superfície, e a cápsula Orion permanecerá em órbita, sem jamais tocar o solo lunar.
O retorno da Orion, com a cápsula deixando a órbita lunar, é previsto para o início de junho de 2028, com a reentrada e aterrissagem na água programada para o meio‑dia de 10 de junho de 2028, em Brasília, com a reentrada projetada para a tarde de 10 de junho (Brasília), com a Marinha novamente conduzindo a recuperação e a tripulação passando por protocolos de readaptação à gravidade, fechando a grande engenharia humana que liga a exploração lunar, a engenharia de foguetes e a operação de resgate aeronaval em um único ciclo de 2 a 10 de abril de 2026, com futuras missões ampliando essa trajetória até 2028.




