Professores da UnB entram em greve nesta quarta-feira contra decisão do governo Lula

Docentes protestam contra regra do ministério criado por Lula que reduz impacto de reajustes e pedem suspensão de descontos

A Associação dos Docentes da Universidade de Brasília que reúne os professores da UnB ameaça uma paralisação nesta quarta-feira (15), com ato reivindicatório previsto para as 10h, em frente à Reitoria da instituição de ensino superior pública. A decisão foi tomada em assembleia realizada na última sexta-feira (10).

A ADUnB publicou a decisão pela grave nas redes sociais. “Seguimos na luta pelo respeito ao processo judicial, pelo direito dos docentes ingressos após 2023 ao recebimento da URP, pela suspensão dos descontos a aposentados e pela não absorção da URP em progressões e promoções”.

O principal motivo da insatisfação envolve a URP, um valor incorporado aos salários devido a reajustes antigos pagos de forma incorreta. Segundo os docentes, a decisão do Ministério da Gestão e da Inovação em Serviços Públicos (MGI) do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) altera a forma de pagamento desse benefício, especialmente para professores que ingressaram mais recentemente.

O MGI, criado por Lula no início de seu mandato em 2023, determinou a absorção da URP para docentes da UnB em abril de 2026.

A medida que visa economizar verbas dos cofres do governo federal foi comunicada via ofício à Reitoria da UnB em 2 de abril de 2026. A URP é uma parcela de 26,05% incorporada aos salários dos servidores da UnB desde 1991, originada de reajustes inflacionários da década de 1980, garantida por decisões judiciais do STF com base em segurança jurídica.

Segundoos professores, a medida faz com que parte dos aumentos salariais não chegue integralmente ao bolso dos docentes, já que 60% desses reajustes passam a ser usados para reduzir gradualmente a URP. Assim, mesmo quando há ganho — como o reajuste de 3,5% conquistado após a greve de 2024 — o impacto real no salário é menor, o que, segundo a categoria, prejudica a remuneração e pode afetar a progressão na carreira.

Além da revisão da regra do governo Lula, os professores pedem a suspensão de descontos aplicados a aposentados e defendem que a URP não seja considerada em processos de progressão e promoção. Os professores também criticam a adoção da medida antes do fim do processo judicial.