A carne de paca preparada pela primeira-dama Janja da Silva para o presidente Lula (PT) no almoço de Páscoa foi um presente do empresário Emílio Odebrecht, segundo informou o jornalista Lauro Jardim. De acordo com a publicação, o empresário costuma enviar o animal ao petista algumas vezes por ano.
Emílio se apresenta como um dos maiores criadores de paca do país e mantém amizade antiga com Lula. A carne do animal silvestre foi mostrada em vídeo publicado por Janja nas redes sociais no Domingo de Páscoa.
O empresário ficou conhecido nacionalmente por ter sido citado nas investigações da Operação Lava Jato. Patriarca da família que controlava a construtora Odebrecht (hoje chamada Novonor) ele apareceu em delações de executivos da empresa durante o avanço da operação.
Em 2016, a empreiteira firmou um acordo de leniência com a Procuradoria-Geral da República. O entendimento envolveu 78 executivos e gerou dezenas de investigações no Supremo Tribunal Federal. Em depoimentos, delatores relataram esquemas de pagamento de propina e repasses de recursos a partidos políticos.
Emílio Odebrecht delatou Lula em esquemas de propina na Lava Jato. Em sua delação homologada em 2017, Emílio Odebrecht afirmou que manteve uma “conta corrente” secreta de propinas para o ex-presidente Lula, com valores estimados em R$ 80 milhões, repassados via imóveis, reformas em sítio e doações ao Instituto Lula.Ele descreveu Lula como “chefe” e detalhou acertos para obras superfaturadas na Petrobras, incluindo um terreno para o Instituto Lula em São Paulo e um triplex em Guarujá, supostamente pagos pela Odebrecht em troca de contratos.Em depoimento a Sérgio Moro, confirmou que Marisa Letícia pediu reformas no sítio de Atibaia como “surpresa” para Lula, e que ele sabia dos pagamentos via intermediários como Antonio Palocci
A construtora mudou de nome para Novonor após os escândalos e iniciou um processo de reestruturação financeira, marcado por renegociação de dívidas e mudanças administrativas.
Mas mesmo assim, está novamente tendo seus integrantes investigados e dessa vez em contrato bilionário junto com a Petrobras no Peru. Dessa vez, um contrato de US$ 1,8 bilhão [cerca de R$ 9 bilhões] da Petrobras, firmado em 2025, foi citado pelo governo do Peru à Justiça dos EUA em uma investigação que aponta movimentações suspeitas envolvendo a prefeitura da capital peruana e empreiteiras brasileiras em um esquema de corrupção de concessões rodoviárias. O caso ficou conhecido como “Rutas de Lima”.




