Réus da maior chacina do DF são condenados após 6 dias de júri; veja penas

Três anos após crime bárbaro que exterminou 10 pessoas de uma mesma família, júri pune cinco acusados

A Justiça do Distrito Federal anunciou na noite deste sábado, 18 de abril de 2026, as penas dos cinco acusados da maior chacina já registrada no Distrito Federal, em julgamento pelo Tribunal do Júri no Fórum de Planaltina. O julgamento se estendeu por seis dias e terminou após um intenso trabalho de jurados, que votaram cerca de 500 quesitos antes da leitura final das sentenças.

Os cinco réus foram condenados pelo júri

O massacre, que vitimou dez integrantes de uma mesma família, ocorreu entre dezembro de 2022 e janeiro de 2023 e chocou o país pela brutalidade. Segundo as investigações, os assassinatos foram motivados por uma disputa envolvendo uma chácara avaliada em aproximadamente R$ 2 milhões, em uma região rural próxima ao DF. O caso ficou marcado pelo grau de crueldade e pelo planejamento atribuído aos criminosos.

Durante o julgamento, os cinco réus – Gideon Batista de Menezes, Horácio Carlos Ferreira Barbosa, Carlomam dos Santos Nogueira, Fabrício Silva Canhedo e Carlos Henrique Alves da Silva – foram considerados culpados por uma série de crimes graves. Entre as condenações estão homicídios qualificados, extorsão mediante sequestro, ocultação de cadáver, sequestro e cárcere privado, associação criminosa, roubo, constrangimento ilegal, corrupção de menores e fraude processual.

A soma total das penas aplicadas ultrapassa 1.250 anos de prisão, todas fixadas em regime inicial fechado. A sentença mais alta foi atribuída a Horácio Carlos Ferreira Barbosa, apontado como um dos principais executores, condenado a mais de 300 anos de reclusão. Ele foi responsabilizado por participação direta nos assassinatos e por crimes ligados à ocultação de corpos e à tentativa de dificultar as investigações.

Outro condenado com pena elevada foi Carlomam dos Santos Nogueira, sentenciado a cerca de 351 anos de prisão, considerado peça relevante em diferentes fases da ação criminosa. Já Fabrício Silva Canhedo recebeu pena de 202 anos de reclusão, enquanto Carlos Henrique Alves da Silva foi condenado a 2 anos, com base na participação específica atribuída a ele.

O quinto réu, Gideon Batista de Menezes, apontado pelo Ministério Público como o mentor do plano criminoso, também foi condenado por homicídios e crimes correlatos. Ele foi descrito como responsável por coordenar parte do esquema, incluindo ações de extorsão e ocultação de provas, contribuindo para o total histórico de penas impostas ao grupo.

De acordo com a denúncia, o grupo atuou de forma premeditada, atraindo as vítimas para emboscadas e mantendo parte delas em cativeiro antes das execuções. As mortes ocorreram por diferentes meios, incluindo asfixia, tiros e tortura, segundo os autos. A investigação apontou ainda que os criminosos utilizaram celulares das vítimas para enviar mensagens a familiares, tentando criar a falsa impressão de que elas estariam vivas e em deslocamento, enquanto os crimes eram consumados.

Os corpos foram localizados em pontos diferentes, alguns deles em áreas fora do Distrito Federal, em condições que reforçaram a tese de execução e ocultação deliberada. A violência e a sequência de mortes transformaram o caso em um dos episódios criminais mais impactantes já registrados na história do DF, com ampla repercussão nacional.

O julgamento foi considerado um dos mais longos já realizados no Distrito Federal, ficando atrás apenas do caso histórico conhecido como “Crime da 113 Sul”. Ao longo dos seis dias de sessão, o tribunal manteve forte esquema de segurança, e o plenário foi marcado por comoção, especialmente durante os depoimentos e durante a leitura das penas.

Familiares das vítimas acompanharam o encerramento do julgamento e reagiram com emoção diante das condenações, classificadas como uma resposta do Estado à gravidade do massacre. Para os parentes, as penas representaram um marco após anos de luto e espera por justiça.

Apesar das condenações expressivas, a defesa dos réus ainda poderá recorrer ao Tribunal de Justiça do Distrito Federal e dos Territórios (TJDFT). Mesmo assim, o resultado do júri é visto como uma decisão histórica, consolidando uma das mais duras respostas judiciais já aplicadas no DF contra crimes de extermínio em massa e reforçando o debate sobre violência, disputa fundiária e segurança pública na região do Entorno.