Lula deixa legado de miséria exposto por Assíria, uma das milhões de vítimas dos jogos online

Por Victório Dell Pyrro

Assíria não sabe, mas o Brasil entrou de vez na era em que o Estado não apenas tolera o jogo: ele organiza, regulamenta e lucra com ele. A sanção da Lei 14.790/2023, assinada por Lula em dezembro de 2023, foi vendida como modernização e controle, mas na prática abriu as portas para uma máquina fiscal voraz, que arrecada bilhões enquanto a sociedade paga a conta em forma de vício, endividamento, colapso familiar e destruição psicológica. O governo, que deveria proteger o cidadão, transformou a aposta dos pobres e endividados em política econômica e fez do desespero popular uma nova linha de receita. O resultado e o legado de Lula é um país onde a miséria não é combatida: ela é monetizada com ajuda de algorítimos viciantes.

O mercado explodiu e virou uma indústria de sangria social. Estimativas de alcance indicam que milhões de brasileiros já tiveram algum contato com plataformas de apostas e jogos online, com forte penetração entre jovens e famílias de baixa renda. Enquanto isso, a arrecadação se tornou um troféu. Apenas em 2025, as bets registraram receita na casa de R$ 37 bilhões, e o volume total de tributos associados ao setor legalizado foi estimado em aproximadamente R$ 9,95 bilhões, somando incidências sobre faturamento, lucro e contribuições. A União também já ultrapassou a marca de R$ 3 bilhões arrecadados em 2025 apenas com receitas ligadas ao segmento, segundo levantamentos divulgados ao longo do ano. Ou seja: o Estado não está “combatendo o problema”. Ele está contabilizando o problema e comemorando o saldo, enquanto famílias inteiras vão à bancarrota frente à ganância de um governo irresponsável.

E o discurso oficial é uma encenação cínica. O governo Lula insiste em chamar isso de “regulamentação”, mas o que se consolidou foi um sistema em que o poder público cobra impostos e taxas enquanto a população mergulha numa roleta de dependência. Pela lei, as empresas legalizadas passaram a pagar 12% sobre a receita bruta do jogo (GGR), além de Imposto de Renda, CSLL e outras contribuições. A mensagem é cristalina: o Estado quer o dinheiro, não o controle da verdadeira tragédia de endividamento familiar. O cidadão arruinado virou apenas mais um número no caixa gordo que distribui mal a renda e está envolto aos desvios criminosos apontados e casos de corrupção.

O problema é ainda mais grave porque o modelo brasileiro nasceu capenga e hipócrita. O governo focou na aposta esportiva de quota fixa, mas o país foi tomado por jogos de cassino online que operam fora do radar livremente no país e seguem prosperando com agressividade, especialmente o chamado “Jogo do Tigrinho” e outras plataformas semelhantes. A própria realidade mostra o fracasso: o governo até divulga ações de bloqueio, com dezenas de milhares de sites derrubados, mas eles reaparecem em poucas horas, migrando de domínio como baratas fugindo da luz e se misturam aos legalizados por Lula e sua camarilhano Congresso. A repressão vira teatro, a fiscalização vira manchete, e o cidadão continua sendo caçado por anúncios, bônus e armadilhas matematicamente desenhadas para perder.

O que deveria ser uma política séria virou um laboratório de exploração. Não existe “jogo responsável” quando a lógica do negócio é prender o usuário no ciclo da dopamina, usando estímulos visuais, falsas vitórias e mecanismos psicológicos para aumentar tempo de tela e repetição de apostas. O que existe é uma indústria que vive do fracasso do apostador. E, pior: uma indústria que foi institucionalizada pelo Estado e abençoada por discursos oficiais de “controle”. Algo similar ao STF que esconde criminosos que citados nominalmente transferem as acusações para a Instituição, essa que deveria ser lavada literalmente de seus maus integrantes. No caso do STF, só o Senado poderia agir, mas não age. O eleitor terá de escolher bem seus candidatos nesse ano.

Enquanto o povo afunda, o Senado cumpriu seu papel habitual: o de falar muito e fazer nada. A chamada CPI das Bets, instalada em novembro de 2024 sob relatoria da senadora Soraya Thronicke (PSB-MS), apoiadora aguerrida de Lula, foi anunciada como resposta dura ao avanço das apostas, ao lobby no futebol, à lavagem de dinheiro e ao uso de influenciadores para recrutar novos viciados. O espetáculo incluiu depoimentos, holofotes e indignação ensaiada. Foram 19 depoimentos, investigações sobre patrocínios, suspeitas de crime financeiro e a exposição de celebridades como Virginia Fonseca e Deolane Bezerra, figuras que ajudaram a normalizar o vício em massa com vídeos sorridentes e propaganda disfarçada de entretenimento.

Ao final, veio o retrato da covardia institucional. O relatório final apresentou 20 medidas e propôs 16 indiciamentos, mas tudo foi simplesmente enterrado quando o parecer foi rejeitado por 4 votos a 3, em 12 de junho de 2025. O resultado foi o mesmo de sempre: nenhuma punição, nenhum impacto imediato, nenhum efeito vinculante, nenhuma mudança real. Uma CPI que deveria servir como freio virou apenas mais um circo para fingir que o Estado está reagindo. A partir daí, propostas como restrição de publicidade e veto a patrocínios em uniformes passaram a “tramitar” lentamente, apodrecendo em comissões como a CCT, onde projetos costumam morrer por asfixia burocrática.

E enquanto isso, o país produz vítimas como se fossem estatística inevitável. A história de Assíria Macêdo, cearense de 29 anos, não é exceção: é retrato do que o Brasil virou. Extensionista de cílios em Fortaleza, ela mergulhou no vício do “Tigrinho” ilegal, perdeu patrimônio, destruiu a vida financeira, acumulou R$ 50 mil em dívidas, perdeu casas, viu o casamento ruir, negligenciou as filhas e acabou vivendo de favor com os pais idosos, perseguida por ligações de cobrança e agiotas. O desabafo, em vídeo que viralizou e alcançou cerca de 200 mil visualizações em 13 de abril de 2026, não é apenas um relato pessoal: é um grito de uma sociedade que está sendo moída.

“Está destruindo minha mente”, disse ela, resumindo o que milhares vivem em silêncio. Abandonou o celular para não recair, pediu emprego e disse que só queria pagar as dívidas e trabalhar. A pergunta inevitável é: quantas Assírias precisam ser destruídas até o governo admitir que criou um sistema em que a arrecadação vem antes da vida?

O problema se agrava porque a máquina pública atua com seletividade. Há energia para arrecadar, mas pouca para proteger. Há rapidez para regulamentar e licenciar, mas lentidão para tratar a ludopatia como emergência de saúde pública. Há vigor para celebrar números, mas silêncio para medir suicídios, depressão, separações e colapsos emocionais ligados ao vício. A propaganda das bets invade horários nobres, camisas de times, redes sociais e influenciadores, criando uma geração treinada para apostar antes mesmo de aprender a administrar dinheiro.

A consequência é um país onde a exploração não é exceção: é modelo de negócio. O Estado bloqueia sites, mas não bloqueia o fluxo. O Estado discursa sobre controle, mas permite propaganda agressiva. O Estado fala em proteção, mas transforma arrecadação em prioridade. O Estado cria regras, mas não impede que o cidadão seja sugado até o último centavo. No fim, o brasileiro não é tratado como cidadão. É tratado como consumidor de lixo. E, quando quebra, vira apenas mais um fracassado responsabilizado individualmente, enquanto o sistema segue intacto.

O apostador típico não é o milionário brincando com sobra de renda. É o trabalhador que aposta o que não pode, o jovem sem perspectiva, a mãe solo tentando “virar o jogo”, o endividado que acredita numa virada milagrosa. E quando perde, perde tudo: dinheiro, autoestima, família, emprego, saúde mental. A máquina segue girando porque a derrota do usuário é a vitória do sistema.

histórias como a de Assíria se multiplicam, enquanto o Estado segue agindo como se tudo isso fosse apenas “economia digital”.

O Brasil precisa escolher: ou trata apostas e jogos online como questão de saúde pública e segurança social, ou admite de uma vez que decidiu transformar miséria em arrecadação.

Se o poder público não for capaz de impor restrições reais, endurecer punições, esmagar a publicidade predatória e fechar o cerco contra plataformas ilegais, então a conclusão é simples e cruel: o Estado brasileiro decidiu lucrar com a destruição do próprio povo. E, nesse cenário, Lula e o Congresso não são espectadores. São peças centrais de uma engrenagem que transforma desespero em imposto, vício em arrecadação e tragédia popular em estatística.


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