União Europeia é o segundo maior mercado para carnes brasileiras em valor, atrás apenas da China. Brasil foi excluído por não fornecer garantias sobre a não utilização de antimicrobianos
A União Europeia (UE) publicou, nesta terça-feira (12), uma atualização da lista de países que cumprem suas regras contra o uso excessivo de antimicrobianos na pecuária e excluiu o Brasil. Segundo a UE, o Brasil foi excluído por não fornecer garantias sobre a não utilização de antimicrobianos na pecuária, informou a agência de notícias France Presse.
Os antimicrobianos proibidos são:
- virginiamicina;
- avoparcina;
- cacitracina;
- tilosina;
- espiramicina;
- avilamicina.
A atualização da lista europeia afeta diretamente o comércio de carnes brasileiras com um dos mercados mais relevantes para o setor. Segundo o Ministério da Agricultura, o bloco é o segundo maior destino das carnes brasileiras em valor, atrás apenas da China. A exclusão, na prática, pode dificultar ou até impedir embarques ao mercado europeu, ao menos até que o Brasil comprove o atendimento das exigências sanitárias do bloco.
A decisão foi publicada pela União Europeia nesta terça-feira (12), em meio ao esforço do bloco para endurecer o controle sobre o uso de antimicrobianos na produção animal, uma das frentes globais de combate à resistência bacteriana.
Por que o Brasil saiu da lista
De acordo com a UE, o Brasil foi retirado por não fornecer garantias sobre a não utilização de antimicrobianos na pecuária. O bloco mantém regras específicas para assegurar que países exportadores adotem práticas compatíveis com seus padrões sanitários e de vigilância.
Na avaliação europeia, a ausência dessas garantias compromete a autorização para entrada de carnes vindas do Brasil. A medida não se restringe a um produto específico e pode atingir diferentes proteínas exportadas ao mercado europeu.
Peso econômico
A perda potencial de quase US$ 2 bilhões por ano mostra a importância da Europa para a balança comercial do agronegócio brasileiro. O mercado europeu paga mais por determinadas carnes e cortes do que outros destinos, o que aumenta o impacto financeiro de uma eventual interrupção.
Em 2025, o bloco comprou 368,1 mil toneladas de produtos, em negócios que somaram US$ 1,8 bilhão.
Além do efeito direto nas exportações, a exclusão pode pressionar frigoríficos, pecuaristas e toda a cadeia produtiva voltada ao comércio exterior. Também abre espaço para redirecionamento de vendas a outros mercados, possivelmente com menor rentabilidade.
Acordo Mercosul e União Europeia
A publicação da lista ocorre 12 dias após a assinatura de um acordo de livre comércio com os países do Mercosul, criticado por agricultores e ambientalistas europeus, especialmente na França.
A medida desta terça-feira não tem relação direta com o acordo. A lista é uma regulamentação sanitária, ou seja, uma exigência que qualquer país pode adotar para garantir a segurança dos alimentos consumidos pela população.
O acordo entrou em vigor em 1º de maio, em caráter provisório, e aguarda uma decisão judicial na Europa sobre sua legalidade.
O que pode acontecer agora
O governo brasileiro deve tentar reverter a decisão, apresentando informações adicionais e eventuais ajustes exigidos pela União Europeia. A depender da resposta do bloco, o país poderá recuperar o acesso ao mercado ou enfrentar um período mais longo de restrições.
Empresas exportadoras e entidades do setor tendem a acompanhar de perto os desdobramentos, já que a decisão pode afetar contratos, embarques e preços.
Contexto maior
A medida acontece em um momento em que a União Europeia vem reforçando critérios sanitários e ambientais para importações agrícolas e de proteína animal. O tema dos antimicrobianos está no centro de preocupações internacionais por causa do risco de resistência bacteriana, o que tem levado governos a apertar controles sobre a produção pecuária.
No caso brasileiro, a exclusão acende um alerta para a necessidade de alinhamento regulatório com mercados mais exigentes, especialmente em um setor em que o país depende fortemente da credibilidade sanitária para manter e ampliar vendas externas.







