Recursos teriam sido desviados de contrato para instalação de Wi-Fi e usados em produção cinematográfica
A Polícia Civil de São Paulo realiza nesta segunda-feira (1°) uma operação que investiga uma suspeita de fraude envolvendo uma licitação entre a Prefeitura da cidade de São Paulo e o Instituto Conhecer Brasil (ICB).
O Instituto é responsável pela produção do filme sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro, chamado de Dark Horse.
As autoridades investigam possíveis irregularidades no termo de colaboração firmado entre a Secretaria Municipal de Inovação e Tecnologia (SMIT) e o instituto, representado por Karina Ferreira da Gama, para a contratação e instalação de Wi-Fi em comunidades periféricas da cidade. As investigações apontaram uma série de falhas consideradas graves e indícios de conduta ilegal desde a origem da contratação.
Responsável pela ONG Instituto Conhecer Brasil (ICB), alvo de investigação da Polícia Civil e do Ministério Público de São Paulo por um contrato de R$ 108 milhões com a Prefeitura de São Paulo, a jornalista Karina Ferreira da Gama está sob holofotes por ser responsável, também, pela produtora do filme “Dark Horse”, cinebiografia ainda inédita do ex-presidente Jair Bolsonaro.
As suspeitas são:
- Falta de capacidade técnica: a polícia apontou que o chamamento público teve a participação exclusiva do ICB, uma entidade considerada sem experiência no setor de telecomunicações, com atuações somente em feiras de livros e eventos religiosos.
- Superfaturamento: enquanto a empresa pública Prodam cobrava R$ 306,00 pela manutenção mensal por ponto, o acordo com o ICB estipulou o pagamento de R$ 1.800,00 fixos por ponto, um valor injustificadamente superior aos parâmetros de mercado.
- Pagamentos indevidos e antecipados: a administração municipal teria realizado a antecipação de R$ 26 milhões sem a devida contraprestação. Foram identificados repasses relativos a 3.200 pontos quando, na realidade, apenas seis funcionavam no período.
- Descumprimento de metas e fraude em aditivos: a entidade instalou apenas 3.200 dos 5.000 pontos previstos. Para ocultar a demora, foram celebrados três termos aditivos em intervalos de poucos dias.
As suspeitas são de que recursos teriam sido desviados do contrato para a produtora Go Up Entertainment Ltda, controlada por Karina, para subsidiar a produção do filme Dark Horse.

Karina é apontada como ligada ao deputado federal Mario Frias (PL-SP), responsável pelo roteiro de “Dark Horse”. O longa recebeu patrocínio do banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master.
A empresária mora na Brasilândia, Zona Norte de São Paulo, e possui ao menos cinco empresas registradas em seu nome, entre elas o Instituto Conhecer Brasil, a Go Up Entertainment e a Upcon Serviços Especializados Ltda., que mantém filial em Goiás.
O nome de Karina passou a ganhar projeção após a abertura de um inquérito da Polícia Civil para investigar supostas irregularidades no contrato firmado entre a Prefeitura de São Paulo e o Instituto Conhecer Brasil.







