PF rejeita nova delação de Daniel Vorcaro do Banco Master

Os investigadores da Polícia Federal rejeitaram formalmente a delação de Daniel Vorcaro. A opção por não aceitar a segunda proposta apresentada pelo dono do Banco Master já foi comunicada aos advogados do golpista. Daniel Vorcaro ainda segue negociando a nova delação com a Procuradoria-Geral da República (PGR), que avalia os novos dados trazidos por ele para reforçar o valor de sua potencial colaboração com as investigações.

Um desses novos dados seriam, relatos que seriam fornecidos aos investigadores pelos defensores do banqueiro com os detalhes de uma operação no exterior que resultou num repasse de 30 milhões de dólares ao presidente do Congresso, Davi Alcolumbre. Vorcaro também detalhou o esquema de corrupção envolvendo o PT, uma das frentes de investigação mais avançadas do caso e listou integrantes do Judiciário que receberam propina para atuar em defesa dos interesses do Master.

O senador Ciro Nogueira também está entre os alvos da nova delação de Vorcaro e cita propina. O presidente do PP foi alvo da quinta fase da Operação Compliance Zero, deflagrada no mês passado. As equipes policiais cumpriram mandados de busca e apreensão contra ele no Distrito Federal e no Piauí.

As investigações apontam que Ciro atuou no Congresso em favor do Master em troca de propina. Entre as acusações está a de que o parlamentar apresentou uma emenda para ampliar a cobertura do Fundo Garantidor de Créditos (FGC), batizada de “emenda Master”.  Vorcaro também descreveu os repasses que fez para a produção do filme Dark Horse, sobre a trajetória política do ex-presidente Jair Bolsonaro. Além disso, o dono do Master confirmou os pedidos de Flávio Bolsonaro por dinheiro para supostamente bancar o longa-metragem, mas não indicou que teria sido em troco de algum benefício ou propina.

Daniel Vorcaro cita também pagamentos ao presidente nacional do União Brasil, Antônio Rueda. Em relação ao PT, a proposta de delação de Vorcaro menciona pagamentos que teriam sido realizados como propina para a operação do programa Credcesta pelo Banco Master no estado da Bahia.

O Credcesta é um cartão de benefício consignado voltado para servidores públicos ativos e aposentados e cujos pagamentos das faturas são descontados diretamente em folha.

O Banco Master passou a operar o Credcesta na Bahia entre os anos 2018 e 2022. Na época, o estado era governado por Rui Costa (PT), ex-ministro da Casa Civil no terceiro mandato de Lula.

A relação ao PT complica a vida do presidente nas eleições. Uma troca de mensagens entre Daniel Vorcaro e a então companheira, Martha Graeff, o golpista disse que encontro com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e ministros do governo no Palácio do Planalto, em dezembro de 2024, foi ‘ótimo’. Entre os ministros estava Rui Costa, que era governador da Bahia, no caso citado na nova delação de Vorcaro.

A mensagem está em material obtido pela Polícia Federal (PF) após quebra de sigilo telemático do banqueiro e enviado à CPMI do INSS.

As mensagens são do dia 4 de dezembro de 2024, mesmo dia do encontro fora da agenda oficial com o presidente Lula. O banqueiro afirma que o encontro foi “muito forte” e envolveu também ministros e Gabriel Galípolo, que à época estava indicado para suceder Roberto Campos Neto na presidência do Banco Central.