Instituição tem classificação S4, ou seja, tem baixo risco para o Sistema Financeiro Nacional
O Banco Central (BC) decretou a liquidação extrajudicial da Sefer Investimentos Distribuidora de Títulos e Valores Mobiliários Ltda., com sede em São Paulo (SP), nesta sexta-feira (26).
A liquidação extrajudicial foi determinada porque houve “comprometimento da situação econômico-financeira da distribuidora”, o que colocou os credores quirografários em exposição a “risco anormal”, segundo o Banco Central.
Os credores quirografários são os que têm uma dívida a receber, mas não têm nenhuma garantia real, seja por meio de hipoteca, seja por penhor, seja por privilégio especial sobre o patrimônio do devedor.
Na prática, isso significa que a instituição terá suas atividades encerradas sob supervisão do BC, sem passar por um processo de recuperação convencional.
A Sefer tem ligação com o caso Master, do banqueiro Daniel Vorcaro. A instituição é apontada como administradora de uma complexa rede de fundos em que o Banco Master era cotista único.
A distribuidora está enquadrada no segmento S4 da regulação prudencial, ou seja, é menor do que o Banco Master, que tinha classificação S3. Conforme o BC, ela tem “baixa representatividade” no Sistema Financeiro Nacional, com menos de 0,0004% do ativo total e 0,17% dos recursos administrados de terceiros.
O Banco Central também justifica que a liquidação extrajudicial teve como razão “graves violações às normas legais que disciplinam a atividade da instituição”.
Em nota, o Banco Central reforça que continuará tomando as medidas necessárias para apurar as responsabilidades “nos termos de suas competências legais”.
“O resultado das apurações poderá levar à aplicação de medidas sancionadoras de caráter administrativo e a comunicações às autoridades competentes, observadas as disposições legais aplicáveis. Nos termos da lei, ficam indisponíveis, a partir de hoje, os bens dos controladores e dos ex-administradores da instituição”, diz o BC no comunicado.
Os bens dos controladores e dos ex-administradores da Sefer ficaram indisponíveis a partir desta sexta-feira.
Antes de ter sua liquidação extrajudicial decretada pelo Banco Central, a Sefer Investimentos esteve entre os alvos da segunda fase da Operação Compliance Zero, deflagrada pela Polícia Federal em janeiro deste ano.
A investigação apura a suposta participação de fundos e corretoras de investimento em um esquema de fraude bilionária que teria sido liderado pelo Banco Master, posteriormente liquidado pelo Banco Central. O caso tramita no Supremo Tribunal Federal (STF).






