A Polícia Civil de São Paulo identificou que a empresa Entre Investimentos pagou R$ 26.225.110,00 à ACX ITC Serviços de Tecnologia Ltda., apontada na investigação como possível operadora de lavagem de capitais para o PCC. Os repasses ocorreram entre fevereiro e abril de 2025, segundo o relatório final.
A apuração integra a Operação Saturno, conduzida pela 2ª Delegacia do Denarc, e foi remetida à Polícia Federal após a polícia paulista identificar conexão com outras frentes investigativas federais. Entre elas, estão apurações envolvendo o Banco Master e o escândalo do INSS.
A Entre Investimentos ganhou projeção por ter financiado a produção do filme Dark Horse, cinebiografia sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro. O nome da empresa passou a aparecer em diferentes frentes de investigação financeira, com suspeitas de intermediação de recursos ligados a grupos sob apuração por lavagem de dinheiro.
De acordo com a investigação, a ACX Tecnologia seria usada para ocultar e dissimular recursos de origem ilícita. O relatório aponta que a empresa apresentou movimentações financeiras incompatíveis com sua atividade formal, o que levou os investigadores a considerar indícios de lavagem de dinheiro.
Outro dado citado no material é que a ACX ITC teria movimentado cerca de R$ 918,3 milhões, valor usado pelos investigadores para dimensionar a escala do esquema. A análise do Coaf também teria identificado operações sem justificativa econômica ou legal aparente, reforçando a suspeita de uso da empresa como peça de uma estrutura financeira paralela.
O caso também ganhou repercussão porque o rastreamento do dinheiro alcançou outras pessoas e empresas já citadas em reportagens anteriores, inclusive em conexões com o Banco Master e com nomes que apareceram em apurações sobre repasses da ACX a profissionais do meio jurídico. As autoridades, porém, ainda não detalharam publicamente todas as etapas da rota do dinheiro.
A investigação agora está sob responsabilidade da Polícia Federal, que deve aprofundar a apuração sobre a origem dos valores, os destinatários dos repasses e a eventual participação de outras empresas e pessoas físicas no circuito financeiro descrito no relatório.
Entre Investimentos tem Antônio Carlos Freixo Júnior, o “Mineiro”, como controlador
A Entre Investimentos tem como principal controlador Antônio Carlos Freixo Júnior, conhecido como “Mineiro”. Ele aparece em informações públicas e institucionais do grupo como fundador e CEO da empresa.
A companhia não atua de forma isolada. Ela se apresenta como um ecossistema de negócios com operações em meios de pagamento, tecnologia, automação comercial, serviços financeiros e investimentos.

As apurações incluem movimentações financeiras milionárias e o uso de suas empresas para financiar um filme sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro. Ele também controla, por meio de seus negócios, as operações digitais dos portais IstoÉ e IstoÉ Dinheiro.
Entre as marcas associadas ao grupo estão outras frentes empresariais ligadas à expansão da holding. A estrutura ajuda a explicar por que a empresa passou a aparecer em diferentes apurações financeiras e societárias.
Além disso, a companhia foi mencionada como cotista de fundos ligados à rede do Banco Master, em estruturas financeiras que somariam R$ 2,9 bilhões em ativos.




