Flávio diz que Moraes está interferindo nas eleições

O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), pré-candidato à Presidência, afirmou nas redes sociais nesta segunda-feira (13) que o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), já está interferindo nas eleições de 2026.

A reação veio após Moraes suspender por 90 dias as visitas do senador ao ex-presidente Jair Bolsonaro e encaminhar o caso ao Ministério Público Eleitoral para apurar possível propaganda eleitoral antecipada.

Na publicação, Flávio disse que Moraes, agora fora do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), já está interferindo no processo eleitoral a partir do STF. O senador acusou o ministro de usar inquéritos para atingir adversários da direita e limitar sua liberdade de expressão.

Em uma transmissão ao vivo nas redes sociais, Flávio afirmou que a carta divulgada na última semana foi o quinto recado público escrito por Bolsonaro desde que passou a cumprir medidas cautelares e que as quatro mensagens anteriores foram divulgadas sem qualquer contestação por parte do ministro.

A decisão de Moraes foi tomada depois que Flávio divulgou, também nas redes sociais, uma carta escrita por Jair Bolsonaro em apoio à sua pré-candidatura. No entendimento do ministro, a mensagem tinha conteúdo de propaganda eleitoral antecipada e desrespeitou a restrição de uso das redes sociais imposta ao ex-presidente.

Flávio sustentou que a divulgação da carta foi uma manifestação política legítima e afirmou que o Senado precisa reagir para restabelecer o equilíbrio entre os Poderes.

Segundo Flávio, a primeira carta foi divulgada em 25 de dezembro de 2025, quando Bolsonaro confirmou, por escrito, a indicação de Flávio como pré-candidato à Presidência da República. De acordo com o senador, a mensagem foi lida após uma visita ao pai no hospital e transmitida ao vivo por emissoras de televisão, rádio e pelas redes sociais.

O pré-candidato também citou uma carta publicada pela madrasta, Michelle Bolsonaro, em 6 de fevereiro de 2026, por ocasião do aniversário de casamento do casal; outra divulgada em 1º de março, em que o ex-presidente defendia a ex-primeira-dama de críticas nas redes sociais; e uma quarta mensagem, tornada pública em 2 de março, sobre as eleições em Mato Grosso do Sul.

A quinta carta, divulgada nesse fim de semana, reafirma o apoio de Bolsonaro à pré-candidatura do filho e pede que aliados deixem divergências de lado às vésperas das convenções partidárias.

“Foi a quinta vez que ele escreveu uma carta. E por que desta vez ele [Alexandre de Moraes] resolve questionar que eu estaria descumprindo alguma ordem judicial?”, afirmou.

Flávio negou que o pai tenha determinado ou orientado a divulgação da carta nas redes sociais e questionou a diferença entre a publicação feita por ele e a repercussão do texto em outros canais.

“Qual é a diferença de eu publicar na minha rede, de publicar na rede da Michelle, de publicar no YouTube, de publicar nas centenas de veículos de comunicação, de sair no Jornal Nacional? Qual é a diferença? Nenhuma diferença”, disse.

Durante a transmissão, Flávio afirmou que Alexandre de Moraes tenta impedir que Jair Bolsonaro manifeste apoio à sua candidatura.

“O que eu percebo é que Alexandre de Moraes quer interferir nas eleições. Quer, obviamente, que eu não seja candidato. Ele sabe da força que meu pai ainda tem, sabe da importância de uma manifestação dele a meu favor e quer impedir que isso aconteça”, declarou.

Segundo o senador, a decisão que suspendeu suas visitas ao pai retira uma das poucas formas de comunicação do ex-presidente com seus apoiadores. Flávio também afirmou acreditar que Moraes procura “uma desculpa” para impor uma medida mais severa contra Bolsonaro.

Flávio Bolsonaro comparou as restrições impostas ao pai com o período em que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) esteve preso, entre 2018 e 2019. Segundo o senador, o petista pôde manter articulação política durante o período em que cumpria pena, enquanto Bolsonaro estaria sendo impedido de se comunicar com apoiadores.

O senador citou uma entrevista publicada pelos jornais “El País” e “Folha de S.Paulo” em maio de 2019.

“Lula podia fazer tudo. Deu entrevista, recebia visita todos os dias sem problema nenhum. Qual é o critério agora com o presidente Bolsonaro?”, disse Flávio.

Em abril de 2019, um ano após a prisão do petista e quatro meses depois da posse de Jair Bolsonaro na Presidência da República, o Supremo Tribunal Federal autorizou que Lula fosse entrevistado. O pedido havia sido apresentado sete meses antes pelos jornais “El País” e “Folha de S.Paulo”.

Segundo Flávio, há pedidos de entrevista de Jair Bolsonaro pendentes de análise no STF e Alexandre de Moraes “nem consulta a defesa” sobre a possibilidade de o ex-presidente conceder entrevistas.

O senador disse que também integra a defesa do ex-presidente e afirmou ter acionado o Conselho Federal da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) para que a entidade se manifeste em defesa de suas prerrogativas profissionais.