Os Estados Unidos confirmaram nesta quinta-feira a aplicação de uma nova tarifa de até 12,5% sobre importações de cerca de 60 parceiros comerciais, incluindo o Brasil, sob a justificativa de que esses países falharam em impedir a entrada de produtos associados ao trabalho forçado em suas cadeias de comércio. A medida começa a valer à 0h01 desta sexta-feira, no horário de Washington, e amplia a pressão sobre exportadores brasileiros já atingidos por sobretaxas anteriores.
Segundo o governo americano, a tarifa de 10% será aplicada a economias que, na avaliação de Washington, adotaram medidas para proibir a importação de bens produzidos com trabalho forçado. Já a alíquota de 12,5% ficará para os países que, segundo o relatório, não implementaram proibições efetivas. O Brasil foi incluído nesta segunda faixa.
Na avaliação das autoridades dos EUA, a presença desses produtos nos mercados globais prejudica empresas que operam dentro das regras e, ao mesmo tempo, ajuda a sustentar cadeias que se beneficiam de trabalho escravo moderno. O relatório americano afirma que, embora o Brasil assuma compromissos de combate ao trabalho escravo em acordos de comércio e investimento, ainda não possui uma vedação considerada suficiente para barrar a entrada, no mercado interno, de mercadorias produzidas nessas condições.
A nova cobrança se soma à sobretaxa de 25% já anunciada anteriormente contra parte das exportações brasileiras. Na prática, alguns itens podem passar a enfrentar uma taxação total de 37,5%, dependendo da classificação e da vigência das duas medidas. O governo americano também apontou que o Brasil importou, entre 2021 e 2025, produtos associados a cadeias suspeitas de trabalho forçado, como alumínio, algodão, eletrônicos, baterias de lítio e tabaco.
Apesar do impacto tarifário, a medida veio acompanhada de uma lista ampla de exceções, com mais de 2 mil itens fora da cobrança adicional. Mercadorias consideradas sensíveis para o abastecimento americano ou menos sujeitas ao tipo de desvio comercial investigado ficaram isentas, reduzindo parte do alcance econômico da decisão.
Para o Brasil, o anúncio adiciona um novo foco de tensão nas relações comerciais com os Estados Unidos e pode pressionar setores exportadores que dependem do mercado americano. O governo brasileiro vinha preparando resposta formal à investigação e já argumentava que Washington ignorou evidências e chegou a conclusões arbitrárias ao propor a tarifa adicional.




