Brasília tem menor taxa de mortes por violência entre capitais brasileiras

Brasília registrou a menor taxa de letalidade entre todas as capitais brasileiras no primeiro semestre de 2026, segundo dados do Painel de Indicadores por Capitais, do Ministério da Justiça e Segurança Pública (MJSP).

Entre janeiro e junho deste ano, a capital federal contabilizou oito homicídios e nenhuma morte a esclarecer, totalizando oito ocorrências consideradas no cálculo da taxa, que ficou em 5,54 por 100 mil habitantes.

O índice ficou abaixo do registrado em Florianópolis (7,83), Curitiba (8,74) e Belo Horizonte (11,51), que aparecem na sequência entre as capitais com menores taxas.

Na outra ponta do levantamento, capitais como Porto Velho (56,02), Natal (51,26) e Recife (48,73) apresentaram volumes significativamente mais elevados de mortes violentas e de mortes a esclarecer. A capital com maior taxa para o indicador foi Maceió (69,15), com 147 homicídios e 197 mortes a esclarecer.

O painel também detalha a composição das ocorrências registradas em cada capital. Em Brasília, além dos oito homicídios, foram contabilizados um caso de feminicídio, dois casos classificados como latrocínio e três registros de lesão corporal seguida de morte. Como não houve mortes a esclarecer, o total de mortes violentas intencionais registradas na capital chegou a 14 casos no primeiro semestre.

Quando são levados em conta outros crimes, como feminicídio, latrocínio, lesão corporal seguida de morte e mortes a esclarecer, Brasília também mantém liderança nacional em segurança. A capital contabilizou 99 mortes violentas no período, resultado da soma de 83 homicídios, 11 feminicídios, dois latrocínios e três registros de lesão corporal seguida de morte, sem nenhuma morte a esclarecer. A combinação desses indicadores resultou em uma taxa de 6,61 mortes por 100 mil habitantes, a menor do país.

O desempenho de Brasília ganha ainda mais relevância quando comparado às demais capitais com melhores indicadores nacionais. Curitiba aparece na segunda colocação, com taxa de 9,18 mortes por 100 mil habitantes, seguida por Florianópolis, com 9,19, e Belo Horizonte, com 12,25.

O secretário de Segurança Pública, Alexandre Patury, atribuiu o desempenho de Brasília à atuação integrada das forças de segurança e ao investimento em tecnologia e inteligência. “Temos os Conselhos Comunitários de Segurança (Consegs), o DF 360 com mais de 13 mil câmeras, a excelência do trabalho da Polícia Militar (PMDF) e da Polícia Civil (PCDF) e a participação da população. O Corpo de Bombeiros também tem um papel importante”, afirmou.

Patury também destacou que a redução dos homicídios está diretamente relacionada às estratégias preventivas adotadas pelo Governo do Distrito Federal em áreas consideradas mais sensíveis. “A discussão sobre os horários de funcionamento das distribuidoras ajudou muito a diminuir esses crimes. Muitas vezes, a ocorrência começa com som alto, desordem e consumo de bebida alcoólica e termina em um homicídio”, explicou.

Em relação aos crimes contra mulheres, Alexandre Patury destacou os resultados do programa Viva Flor, voltado à proteção de vítimas com medidas protetivas. Segundo ele, desde a criação da iniciativa, nenhuma mulher atendida pelo programa foi vítima de feminicídio.

“Em sete anos, mais de 13 mil mulheres foram atendidas pelo Viva Flor e nenhuma delas morreu. Isso demonstra que as ferramentas de proteção funcionam. Também contamos com a Rede Lilás, mas o mais importante continua sendo a participação da sociedade. Muitas vezes familiares, amigos e vizinhos percebem os sinais da violência antes do poder público e precisam denunciar”, afirmou.

Para o segundo semestre, o secretário afirmou que a principal meta da SSP-DF é ampliar o programa DF 360 e fortalecer ainda mais a integração entre as forças de segurança e a sociedade. “O caminho não passa apenas por mais recursos financeiros, mas principalmente por integração. Quanto mais as forças de segurança trabalharem juntas e quanto maior for a participação da população, melhores serão os resultados”, concluiu.