A Polícia Civil do Distrito Federal (PCDF) deflagrou, na manhã desta quinta-feira (20), a Operação Cartiera, com o objetivo de desarticular uma organização criminosa especializada em invasões de sistemas bancários empresariais e lavagem de capitais. A ação é conduzida pela Delegacia de Repressão ao Crime Organizado (Draco/Decor).
Disputa entre facções no centro da investigação
As investigações apontam que o grupo atuava prestando serviços financeiros para duas das maiores facções criminosas do país: o Comando Vermelho (CV) e o Primeiro Comando da Capital (PCC). Segundo a polícia, a estrutura movimentou até R$ 60 milhões em operações de lavagem de dinheiro.
O esquema teria sido identificado no contexto de uma investigação sobre embates entre as duas organizações rivais no Distrito Federal. A chamada “guerra fria” entre CV e PCC levou os investigadores a mapear uma megaestrutura financeira que prestava serviços de ocultação de recursos ilícitos para ambos os lados.
O esquema foi descoberto a partir de uma tentativa de latrocínio ocorrida no Distrito Federal em 2024, quando homens armados ligados ao Comando Vermelho, vindos de Mato Grosso, invadiram a capital federal com o objetivo de assaltar o operador financeiro do esquema, após receberem informações de que ele movimentava cifras astronômicas.
Mandados em cinco estados
A ofensiva policial mobilizou cerca de 100 agentes para cumprir 19 mandados de busca e apreensão e seis mandados de prisão. As ações ocorreram simultaneamente em cinco unidades da Federação: São Paulo, Mato Grosso, Santa Catarina, Goiás e no Distrito Federal.
Além dos mandados criminais, a Justiça decretou o sequestro de R$ 3,5 milhões em imóveis de alto padrão e a apreensão de cinco veículos de luxo. O bloqueio judicial foi pedido pela unidade especializada da PCDF com o objetivo de paralisar o ecossistema financeiro do grupo e garantir a reparação do prejuízo às vítimas das fraudes eletrônicas.
Modus operandi do grupo
De acordo com as investigações, a organização atuava por meio de invasões a sistemas bancários empresariais, aplicando fraudes eletrônicas para desviar recursos de empresas. Em seguida, os valores eram ocultados por meio de uma rede de lavagem de dinheiro que incluía transações financeiras complexas, aquisição de bens de alto valor e uso de estruturas empresariais para dificultar o rastreamento.
A polícia aponta que o grupo oferecia esses serviços de forma profissionalizada, atendendo tanto o Comando Vermelho quanto o PCC, o que revela um nível de sofisticação incomum no crime organizado no Distrito Federal.
Crimes investigados
Os investigados responderão por uma série de delitos, entre eles:
- furto mediante fraude informática;
- estelionato eletrônico;
- organização criminosa;
- lavagem de dinheiro;
- falsidade ideológica e documental.
As penas somadas podem atingir até 40 anos de reclusão. A PCDF segue analisando os documentos apreendidos para identificar outros beneficiários vinculados às facções.
Impacto da operação
A Operação Cartiera é mais uma ação da PCDF contra o crime organizado no Distrito Federal e reforça a capacidade da polícia de investigar estruturas financeiras complexas ligadas a facções criminosas. O bloqueio de bens e valores, somado às prisões e buscas, tem como objetivo desorganizar o fluxo de recursos que sustenta atividades ilegais no DF e em outros estados.
As investigações continuam, e novas desdobramentos podem surgir a partir da análise do material apreendido e dos depoimentos colhidos durante a operação.




