Ministro do STF afirma que pedido de relatório envolvia autoridades e, por isso, necessitava de mais cautela para que não tivesse vazamentos
O ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), afirmou que pediu o relatório sobre o ministro Alexandre de Moraes presencialmente aos delegados da Polícia Federal por “cautela” e para preservar o “sigilo” da investigação. Este pedido é considerado atípico.
A explicação foi dada ao presidente da Corte, Edson Fachin, na noite desta segunda-feira (14). Segundo Mendonça, havia indícios de vazamentos da investigação sobre o Banco Master. Além disso, ele destaca que o relatório necessitava de mais “cautela” por envolver autoridades, como o procurador-geral da República, Paulo Gonet, e o diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues.
“Nesse contexto, diante da menção direta à pessoa do atual Diretor-Geral da Polícia Federal, bem como do Procurador-Geral da República, por cautela, buscando preservar a higidez dos autos e a eficiência das investigações —sem imputar qualquer suspeita a quem quer que seja—, impunha-se, com ainda maior razão, a adoção de providência apta a salvaguardar a fiel observância às premissas norteadoras da atividade de supervisão judicial desempenhada por este Ministro desde o início das investigações”, disse.
A resposta de Mendonça atende a um pedido de explicação de Fachin após a PGR pedir a nulidade do documento. A PGR alegou que o relatório não é válido, já que ministros do STF só podem ser investigados com autorização do plenário da Corte. Sobre a acusação, Mendonça não deu explicações em seu despacho.
O relatório produzido pela Polícia Federal a pedido de Mendonça sobre possível relação entre Moraes e Daniel Vorcaro, ex-dono do Banco Master, será analisado nesta terça-feira (15) pelo plenário da Corte. Em sessão inédita, os ministros vão decidir se Moraes deve ser investigado no caso.




