O candidato do PT ao Governo do Distrito Federal, Leandro Grass, afirma que pretende ampliar a arrecadação para financiar investimentos em saúde, transporte, infraestrutura e reajustes de servidores sem aumentar impostos nem elevar o custo para os trabalhadores.
Durante entrevista ao CB Poder, ele citou três caminhos: crescimento econômico, revisão de benefícios fiscais e captação de recursos federais e internacionais. Até agora, porém, Grass não informou quanto pretende arrecadar, quais renúncias serão revistas nem quando os recursos estariam disponíveis.
Renúncias fiscais
O candidato defende a revisão de incentivos concedidos a empresas que não apresentem contrapartidas suficientes em empregos, investimentos ou desenvolvimento. Ele ainda não informou quais benefícios pretende cancelar, quanto espera recuperar ou se a revisão atingirá incentivos vigentes ou apenas novos programas.
Reduzir benefícios aumenta imposto?
Pode aumentar o imposto efetivamente pago.
Imagine uma empresa que deveria pagar R$ 100 mil de ICMS, mas tem um benefício que reduz o valor para R$ 60 mil. Se o benefício for retirado, ela poderá voltar a pagar os R$ 100 mil de imposto ao governo Nesse caso, a alíquota oficial não mudou, mas aumentou a carga tributária daquela empresa.
O mesmo pode acontecer com produtos. Se uma redução de imposto for retirada, a empresa poderá:
Absorver o custo e reduzir sua margem de lucro.
Repassar parte ou todo o valor ao consumidor que no final é quem paga a conta.
Reduzir investimentos.
Diminuir contratações.
Reavaliar a permanência no local.
O efeito depende do setor, do nível de concorrência e da capacidade de cada empresa de repassar o aumento.
Pode afetar você, o consumidor?
Sim. Se o benefício incidir sobre alimentos, combustíveis, transporte, medicamentos ou serviços, sua retirada pode elevar o preço final, caso o aumento seja repassado ao consumidor.
Impacto econômico
A retirada de incentivos pode aumentar a receita, mas também elevar preços, reduzir investimentos ou afetar empregos se as empresas repassarem custos ou deixarem o Distrito Federal.
Uma revisão responsável exigiria a divulgação do valor de cada benefício, dos empregos gerados, dos investimentos realizados, do prazo de validade e dos critérios para manutenção ou cancelamento.
Orçamento e financiamentos
O orçamento do DF para 2026 foi fixado em R$ 74,4 bilhões: R$ 45,9 bilhões do Tesouro distrital e R$ 28,4 bilhões do Fundo Constitucional. Esse fundo tem destinação específica para saúde, educação e segurança e não pode ser usado livremente em qualquer área.
O candidato também citou financiamentos do BNDES, de instituições internacionais e recursos federais para obras. Esses valores não são arrecadação própria e dependem de projetos aprovados, capacidade de endividamento e autorização dos órgãos competentes.
Para avaliar a viabilidade das promessas, Grass precisaria apresentar:
- Quanto pretende arrecadar por ano.
- Quanto virá da revisão de benefícios fiscais.
- Quanto será obtido com combate à sonegação e recuperação da dívida ativa.
- Qual será o custo dos reajustes e dos investimentos.
- Quando os recursos estarão disponíveis.
- Quais serão os impactos sobre preços, empregos e empresas.
Receita não é carga tributária
A arrecadação federal somou R$ 2,65 trilhões em 2024, com crescimento real de 9,62%. O aumento refletiu atividade econômica, emprego, fiscalização e mudanças tributárias.
No caso do IOF, a receita chegou a R$ 86,48 bilhões em 2025, alta real de 20,54%, influenciada também por alterações na legislação.
Esses números mostram que aumento de arrecadação não significa automaticamente aumento da carga tributária. Para medir a pressão sobre o contribuinte, é necessário comparar a receita com o tamanho da economia, a renda e o consumo.
A promessa de Grass de arrecadar mais sem aumentar impostos pode ser viável, mas ainda não está demonstrada. Sem metas, prazos e critérios públicos, o eleitor tem apenas uma diretriz política — não uma conta fiscal completa.




