Candidato dá calote após após “apoiadores” apontarem 21 mil, mas votos serem menos do que 4 mil

Contratados para realizar uma pesquisa eleitoral para o ex-deputado federal Luís Miranda, candidato a deputado distrital pelo Democrata no Distrito Federal, afirmam que não receberam pelos serviços prestados durante a campanha.

A pesquisa indicava que Miranda contava com o apoio de cerca de 21 mil pessoas reunidas em grupos de WhatsApp. Nas urnas, porém, ele recebeu 3.610 votos e não foi eleito.

Segundo os trabalhadores, o contrato previa a criação de grupos com pelo menos 50 participantes favoráveis ao candidato. Cada grupo teria o valor de R$ 700. Caberia à equipe acompanhar as conversas, enviar mensagens diárias e verificar se os integrantes continuavam apoiando Miranda.

Uma das contratadas afirmou que os trabalhadores foram orientados a tentar convencer participantes a votar no candidato. Outra disse ter sido bloqueada após cobrar o pagamento nas redes sociais. Mais de 100 pessoas podem ter participado da atividade, segundo os relatos.

Os pagamentos teriam sido prometidos inicialmente para 3 de outubro. Depois, a equipe teria informado que os depósitos seriam feitos no dia seguinte. Uma das trabalhadoras afirmou ter recebido um comprovante de transferência, mas disse que o dinheiro não apareceu na conta.

Luís Miranda negou ter contratado os trabalhadores. Segundo ele, a campanha pagou os cabos eleitorais oficialmente contratados e um integrante da equipe teria feito contratações sem autorização.

O candidato afirmou que abriu uma auditoria para apurar o caso e declarou considerar-se vítima de um possível golpe.

Miranda recebeu 3.610 votos, equivalentes a 0,21% dos votos válidos no Distrito Federal. O resultado representa cerca de 17% das 21 mil manifestações de apoio registradas nos grupos.

A diferença entre a pesquisa e a votação oficial não prova fraude. Grupos de WhatsApp não substituem pesquisas eleitorais com metodologia científica, amostragem, margem de erro e controle do perfil dos entrevistados.

O caso poderá ter desdobramentos na Justiça caso sejam comprovadas a contratação dos trabalhadores, a prestação dos serviços e a falta de pagamento. Também poderá ser analisado pela Justiça Eleitoral se os grupos foram incluídos na prestação de contas da campanha.